{"id":22287,"date":"2024-02-05T11:38:31","date_gmt":"2024-02-05T10:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/?post_type=article&#038;p=22287"},"modified":"2024-09-06T16:40:13","modified_gmt":"2024-09-06T14:40:13","slug":"sepulturas-de-refugiados-nao-identificadas-e-nao-marcadas-nas-fronteiras-gregas","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/article\/sepulturas-de-refugiados-nao-identificadas-e-nao-marcadas-nas-fronteiras-gregas\/","title":{"rendered":"O n\u00e3o identificado: Sepulturas n\u00e3o identificadas de refugiados nas fronteiras gregas"},"content":{"rendered":"\n<p>O telefone tocou numa manh\u00e3 de outubro de 2022 no trabalho, na Finl\u00e2ndia, onde Mohamed Samim, de 35 anos, vive h\u00e1 cerca de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrinho n\u00e3o tinha boas not\u00edcias: o seu irm\u00e3o Samim, Tarin Mohamad, juntamente com o filho e duas filhas, estava num barco que<a href=\"https:\/\/wearesolomon.com\/mag\/focus-area\/migration\/kythira-shipwreck-one-year-later\/\">&nbsp;naufragou perto de uma ilha grega<\/a>, depois de ter navegado da costa turca para It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Samim chegou a Kythera no dia seguinte, ficou a saber que &#8211; embora fraco depois de n\u00e3o comer durante tr\u00eas dias &#8211; o seu irm\u00e3o tinha conseguido salvar a fam\u00edlia antes que uma onda o levasse. Dirigiu-se imediatamente para o local do naufr\u00e1gio. Na \u00e1gua, viu corpos a boiar &#8211; n\u00e3o conseguia ver a cara do irm\u00e3o, mas reconheceu-lhe as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Guarda Costeira disse que o mau tempo tinha de passar antes de poderem retirar os mortos do mar. O primeiro dia passou, o segundo dia passou, at\u00e9 que no terceiro dia foi finalmente poss\u00edvel. A guarda costeira confirmou que os ventos de 8 Beaufort e a morfologia da zona tornaram imposs\u00edvel a retirada dos corpos. Samim nunca esquecer\u00e1 a vis\u00e3o do seu irm\u00e3o no mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Kalamata, foram precisos quatro dias de transfer\u00eancia de responsabilidades entre o hospital e a Guarda Costeira, e a ajuda de um advogado local que &#8220;chegou e gritou com eles&#8221; para que ele pudesse acompanhar o processo de identifica\u00e7\u00e3o do seu irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi avisado de que seria um procedimento de cortar a alma e que teria de usar uma m\u00e1scara tripla por causa do cheiro. Samim diz que, devido \u00e0 falta de espa\u00e7o nos frigor\u00edficos da morgue, algumas das v\u00edtimas de naufr\u00e1gio foram mantidas na c\u00e2mara fora do frigor\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>&#8220;O stress e o cheiro. Os nossos joelhos tremiam&#8221;, recorda Samim quando o encontr\u00e1mos em Kythera um ano mais tarde.<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Come\u00e7aram a mostrar-lhe corpos em decomposi\u00e7\u00e3o. Primeiro os que estavam fora do frigor\u00edfico. Ele n\u00e3o o reconheceu entre eles. Sa\u00edram e trocaram as m\u00e1scaras que usavam, voltaram, abriram os frigor\u00edficos \u00e0 vez, chegando ao \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele estava ali deitado, calmo. O homem que amamos. Fic\u00e1mos um pouco felizes por, ao fim de dias, o podermos ver&#8221;, disse Samim.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2023-12-08-at-10.29.07-1536x864-1-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21606\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2023-12-08-at-10.29.07-1536x864-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2023-12-08-at-10.29.07-1536x864-1-360x203.jpeg 360w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2023-12-08-at-10.29.07-1536x864-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/WhatsApp-Image-2023-12-08-at-10.29.07-1536x864-1.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mohamed Samim em Kalamata, Gr\u00e9cia, em 2022. Foto: Aristea Protonotariou<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mortos n\u00e3o reclamados<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"573\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-1-1536x860-1-1024x573.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21623\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-1-1536x860-1-1024x573.jpg 1024w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-1-1536x860-1-360x202.jpg 360w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-1-1536x860-1-768x430.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-1-1536x860-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tumba n\u00e3o identificada marcada com um pau em Lesbos, Gr\u00e9cia. Foto: Tina Xu<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O n\u00famero de pessoas que morrem nas fronteiras da Europa est\u00e1 a aumentar. Para al\u00e9m da dificuldade de registar as mortes, h\u00e1 ainda o desafio de identificar os corpos, um processo traum\u00e1tico para os familiares. Nalguns casos, por\u00e9m, h\u00e1 corpos que permanecem por identificar, centenas de homens, mulheres e crian\u00e7as enterrados em sepulturas n\u00e3o identificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2023, o Parlamento Europeu<a href=\"https:\/\/oeil.secure.europarl.europa.eu\/oeil\/popups\/summary.do?id=1752331&amp;t=d&amp;l=pt\">&nbsp;adotou uma resolu\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;reconhecendo o direito \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o das pessoas que perdem a vida a tentar chegar \u00e0 Europa, mas at\u00e9 \u00e0 data n\u00e3o existe um sistema de registo centralizado a n\u00edvel pan-europeu. Tamb\u00e9m n\u00e3o existe um procedimento \u00fanico para o tratamento dos corpos que acabam nas morgues, nas casas funer\u00e1rias e at\u00e9 nos contentores frigor\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p><p>O problema \u00e9 &#8220;totalmente negligenciado&#8221;, disse ao Solomon a Comiss\u00e1ria Europeia para os Direitos Humanos, Dunja Mijatovic, acrescentando que os pa\u00edses da UE n\u00e3o est\u00e3o a cumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es ao abrigo do direito internacional em mat\u00e9ria de direitos humanos&#8221;. A trag\u00e9dia dos migrantes desaparecidos atingiu propor\u00e7\u00f5es horr\u00edveis. Esta quest\u00e3o exige uma a\u00e7\u00e3o imediata&#8221;, acrescentou.\n\n\n\n<p>A plataforma Missing Migrants da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM), que reconhece que os seus dados n\u00e3o s\u00e3o um registo exaustivo, d\u00e1 conta de mais de 1.090 refugiados e migrantes desaparecidos na Europa desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o Border Graves, oito jornalistas europeus, em conjunto com&nbsp;<em>Unbias the News<\/em>, t<em>he Guardian, S\u00fcddeutsche Zeitung,<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Solomon<\/em>, passaram sete meses a investigar o que acontece aos milhares de corpos n\u00e3o identificados dos que morrem nas fronteiras europeias e, pela primeira vez, registaram quase o dobro desse n\u00famero: de acordo com os dados recolhidos, mais de 2.162 pessoas morreram entre 2014 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudamos documentos e entrevistamos m\u00e9dicos legistas, promotores e funcion\u00e1rios de funer\u00e1rias estaduais; moradores e parentes dos mortos e desaparecidos; e obtivemos acesso exclusivo a dados in\u00e9ditos do Comit\u00e9 Internacional da Cruz Vermelha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>Em 65 cemit\u00e9rios ao longo da fronteira europeia &#8211; Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia, Malta, Pol\u00f3nia, Litu\u00e2nia, Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Malta, Litu\u00e2nia, Fran\u00e7a e Cro\u00e1cia &#8211; regist\u00e1mos mais de 1000 sepulturas n\u00e3o identificadas da \u00faltima d\u00e9cada.<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o documenta como a indiferen\u00e7a do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao enterro digno das pessoas que morrem na fronteira \u00e9 generalizada nos pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e9cia, regist\u00e1mos mais de 540 sepulturas de refugiados n\u00e3o identificadas, 54% do total registado pelo inqu\u00e9rito europeu. Viaj\u00e1mos para as ilhas do Egeu e Evros, e encontr\u00e1mos sepulturas em campos por vezes cobertos de ervas daninhas, e placas de m\u00e1rmore com datas de morte apagadas, enquanto noutros casos um peda\u00e7o de madeira com um n\u00famero \u00e9 a \u00fanica marca.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do nosso inqu\u00e9rito, combinados com os dados do Comit\u00e9 Internacional da Cruz Vermelha, n\u00e3o constituem uma descri\u00e7\u00e3o exaustiva da quest\u00e3o. No entanto, captam pela primeira vez as lacunas e dificuldades de um sistema que leva a que milhares de fam\u00edlias n\u00e3o saibam onde est\u00e3o enterrados os seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Lesvos: 167 sepulturas de refugiados n\u00e3o identificadas<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-3-1536x861-1-1024x574.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21640\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-3-1536x861-1-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-3-1536x861-1-360x202.jpg 360w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-3-1536x861-1-768x431.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Greece_Lesvos_Kato-Tritos-3-1536x861-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cemit\u00e9rio de Kato Tritos na ilha de Lesbos&nbsp;Gr\u00e9cia. Foto: Tina Xu<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uma longa estrada de terra batida, rodeada de oliveiras, conduz ao port\u00e3o do cemit\u00e9rio de Kato Tritos, que est\u00e1 normalmente fechado com um cadeado.<\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;cemit\u00e9rio dos refugiados&#8221;, como lhe chamam na ilha, situa-se a cerca de 15 quil\u00f3metros a oeste de Mitilene. \u00c9 o \u00fanico local de enterro exclusivamente para refugiados e migrantes na Gr\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma das nossas visitas, estava a decorrer o funeral de quatro crian\u00e7as. Perderam a vida a 28 de agosto de 2023, quando o barco em que estavam com outras 18 pessoas se afundou a sudeste de Lesbos.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e enlutada e v\u00e1rias mulheres, incluindo familiares, sentaram-se debaixo de uma \u00e1rvore, enquanto os homens rezavam perto do barrac\u00e3o usado para o processo de enterro, de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Kato Tritos e Agios Panteleimonas, o cemit\u00e9rio de Mitilene onde as pessoas que morreram durante a migra\u00e7\u00e3o tinham sido enterradas at\u00e9 ent\u00e3o, cont\u00e1mos um total de 167 sepulturas n\u00e3o identificadas entre 2014-2023.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista local e antigo membro do Conselho Regional do Egeu do Norte, Nikos Manavis, explica que o cemit\u00e9rio foi criado em 2015 num olival pertencente ao munic\u00edpio de Mitilene devido a uma emerg\u00eancia: um naufr\u00e1gio mortal no norte da ilha, a 28 de outubro desse ano, resultou em pelo menos 60 mortos, para os quais os cemit\u00e9rios da ilha n\u00e3o eram suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas v\u00edtimas do naufr\u00e1gio permanecem enterradas em sepulturas n\u00e3o identificadas. As l\u00e1pides s\u00e3o marcadas com a idade estimada do falecido e a data do enterro, \u00e0s vezes apenas um n\u00famero. Outras vezes, um peda\u00e7o de madeira e pedras ao redor marcam a sepultura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>&#8220;O que vemos \u00e9 um campo, n\u00e3o um cemit\u00e9rio. N\u00e3o mostra qualquer respeito pelas pessoas que foram enterradas aqui.&#8221;<\/em><\/p><cite>Nikos Manavis<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta falta de respeito pelo Terceiro Cemit\u00e9rio Inferior mobilizou a organiza\u00e7\u00e3o da Medicina da Terra. Como explica Dimitris Patounis, membro da ONG, em janeiro de 2022 fizeram uma proposta ao munic\u00edpio de Mytilene para a restaura\u00e7\u00e3o do cemit\u00e9rio. O seu plano \u00e9 criar um local de descanso com respeito e dignidade, onde os refugiados e os requerentes de asilo possam satisfazer a necessidade humana mais sagrada, o luto pelos seus entes queridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o conselho municipal tenha aprovado a proposta na primavera de 2023, as elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro atrasaram o projeto. Patounis diz ter a certeza de que as sepulturas ser\u00e3o em breve inventariadas e a \u00e1rea vedada.<\/p>\n\n\n\n<p>Christos Mavrachilis, coveiro no cemit\u00e9rio de Agios Panteleimon, recorda que em 2015 foram enterrados refugiados mu\u00e7ulmanos numa zona espec\u00edfica do cemit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se algu\u00e9m n\u00e3o fosse identificado, eu escrevia &#8216;Desconhecido&#8217; na sua campa&#8221;, diz. Se n\u00e3o houvesse familiares que pudessem suportar os custos, Mavrachilis cortava ele pr\u00f3prio um m\u00e1rmore e escrevia o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel na certid\u00e3o de \u00f3bito. &#8220;Eles tamb\u00e9m eram pessoas&#8221;, diz ele, &#8220;eu fazia o que podia.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"573\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.22.21-1024x573.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23069\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.22.21-1024x573.jpeg 1024w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.22.21-360x201.jpeg 360w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.22.21-768x430.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.22.21.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Thomas Vanavakis, antigo propriet\u00e1rio de uma ag\u00eancia funer\u00e1ria em Mytilene,&nbsp;Lesbos.Foto: Tina Xu<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Por seu lado, Thomas Vanavakis, antigo propriet\u00e1rio de uma ag\u00eancia funer\u00e1ria que ofereceu servi\u00e7os em Lesbos at\u00e9 2020, tamb\u00e9m diz que muitas vezes tiveram de cobrir enterros sem receber pagamento. &#8220;Sabe quantas vezes fomos ao mar e pag\u00e1mos do nosso bolso a trabalhadores para retirarem os corpos e n\u00e3o recebemos um c\u00eantimo?&#8221;, diz.\n\n\n\n<p>Efi Latsoudi, que vive em Lesbos e trabalha para a Refugee Support Aegean (RSA), diz que em 2015 houve enterros que o munic\u00edpio de Mytilene n\u00e3o conseguiu cobrir e, por vezes, &#8220;as pessoas que participaram na cerim\u00f3nia pagaram por eles. Est\u00e1vamos a tentar dar dignidade ao processo. Mas n\u00e3o era suficiente&#8221;, diz.\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>Latsoudi lembra-se de algo que um refugiado lhe tinha dito em 2015: &#8216;A pior coisa que nos pode acontecer \u00e9 morrer algures longe e n\u00e3o ter ningu\u00e9m no nosso funeral&#8217;.<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"582\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.25.38-1024x582.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23086\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.25.38-1024x582.jpeg 1024w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.25.38-360x205.jpeg 360w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.25.38-768x437.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.25.38.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Efi Latsoudi vive em Lesbos e \u00e9 membro da ONG grega Refugee Support&nbsp;Aegean&nbsp;(RSA). <br>Foto: Tina Xu<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O munic\u00edpio de Mytilene n\u00e3o respondeu \u00e0s nossas perguntas sobre o enterro digno dos refugiados nos cemit\u00e9rios sob a sua responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Chios e Samos: sepulturas cobertas por ervas daninhas<\/h3>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"482\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1-482x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23103\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1-482x642.jpg 482w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1-170x226.jpg 170w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_20230818_123130-1536x2048-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cemit\u00e9rio de Mersinidi&nbsp;&nbsp;Chios, Gr\u00e9cia. <br>Foto: Danai Maragoudaki<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.lawspot.gr\/nomikes-plirofories\/nomothesia\/n-4483-2017\/arthro-78-nomos-4483-2017-kalypsi-apo-ota-dapanon-tafis\">De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o grega<\/a>, o governo local (e em caso de incapacidade deste, a regi\u00e3o) cobre os custos do enterro tanto de pessoas n\u00e3o identificadas que morrem na fronteira como daquelas que se encontram em dificuldades financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu lado, a Autoridade Municipal de Chios declarou que os custos correspondentes s\u00e3o financiados e que &#8220;no \u00e2mbito das suas responsabilidades pelos cemit\u00e9rios, mant\u00e9m e cuida de todos os locais, sem discrimina\u00e7\u00e3o e com o respeito exigido por todos os mortos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas durante a nossa visita, em agosto, ao cemit\u00e9rio de Mersinidi, alguns quil\u00f3metros a norte da cidade de Quios, onde os refugiados s\u00e3o enterrados ao lado das sepulturas dos habitantes locais, n\u00e3o foi dif\u00edcil detetar a separa\u00e7\u00e3o: as cinco sepulturas n\u00e3o identificadas de refugiados estavam marcadas apenas por um m\u00e1rmore, normalmente coberto pela vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"495\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.28.50-1-495x642.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23120\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.28.50-1-495x642.jpeg 495w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.28.50-1-174x226.jpeg 174w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.28.50-1-768x996.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.28.50-1.jpeg 987w\" sizes=\"auto, (max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cemit\u00e9rio de Mersinidi&nbsp;&nbsp;Chios, Gr\u00e9cia. Foto: Danai Maragoudaki<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Natasha Strachini, uma advogada da RSA que vive em Chios, participou em v\u00e1rios funerais de refugiados, tanto em Chios como em Lesbos. Para ela, a import\u00e2ncia da comunidade local e da presen\u00e7a num momento humano t\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito aos enterramentos, explica que &#8220;s\u00f3 um bom sistema de registo poderia ajudar os familiares a localizar a sepultura de uma pessoa que perderam, uma vez que normalmente nos cemit\u00e9rios, passados tr\u00eas a cinco anos, s\u00e3o feitas exuma\u00e7\u00f5es&#8221;. Diz que, por vezes, uma campa continua por identificar, apesar de o corpo ter sido identificado, quer porque o processo de identifica\u00e7\u00e3o se atrasou, quer porque os familiares n\u00e3o tinham dinheiro para mudar a campa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Heraion de Samos, junto ao cemit\u00e9rio municipal, num terreno pertencente \u00e0 Metr\u00f3pole e utilizado como local de enterramento de refugiados, regist\u00e1mos dezenas de sepulturas datadas entre 2014-2023. As placas &#8211; algumas partidas &#8211; colocadas no ch\u00e3o, escondidas por ramos, agulhas de pinheiro e pinhas, inscrevem simplesmente um n\u00famero e a data da inuma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Dimitris Choulis, que vive em Samos e trata de casos relacionados com a quest\u00e3o dos refugiados, comentou: &#8220;\u00c9 uma imagem vergonhosa ver estas sepulturas. \u00c9 injustific\u00e1vel para uma sociedade moderna como a Gr\u00e9cia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa de dados<\/h3>\n\n\n\n<p>O Comit\u00e9 Internacional da Cruz Vermelha \u00e9 uma das poucas organiza\u00e7\u00f5es internacionais que trabalham para identificar os refugiados mortos. Entre outras coisas, realizou v\u00e1rias sess\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia para membros da Guarda Costeira e da Pol\u00edcia Grega.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><em>&#8220;Temos a obriga\u00e7\u00e3o de proporcionar aos mortos um enterro digno; e, por outro lado, dar respostas \u00e0s fam\u00edlias atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o dos mortos. Se contarmos com os familiares dos desaparecidos, centenas de milhares de pessoas s\u00e3o afectadas. N\u00e3o sabem onde est\u00e3o os seus entes queridos. Foram bem tratados, foram respeitados quando foram enterrados? \u00c9 isso que atormenta a mente das fam\u00edlias&#8221;, diz Laurel Clegg, coordenadora forense do CICV para a Migra\u00e7\u00e3o para a Europa.<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela explica que manter o registo dos mortos &#8220;consiste em muitas partes que funcionam bem em conjunto &#8211; um quadro jur\u00eddico que protege os mortos n\u00e3o identificados, aut\u00f3psias consistentes, morgues, registos, transporte digno, cemit\u00e9rios&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os &#8220;sistemas m\u00e9dicos e legais dos pa\u00edses est\u00e3o a revelar-se inadequados para lidar com a escala do problema&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2013, no \u00e2mbito do seu programa de restabelecimento dos la\u00e7os familiares, a Cruz Vermelha registou na Europa 16.500 pedidos de pessoas que procuram os seus familiares desaparecidos. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o internacional, apenas 285 correspond\u00eancias bem-sucedidas (1,7%) foram feitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas correspond\u00eancias s\u00e3o efectuadas pelos peritos forenses locais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Recolhemos sempre amostras de ADN de corpos n\u00e3o identificados. \u00c9 uma pr\u00e1tica corrente e pode ser o \u00fanico meio vi\u00e1vel de identifica\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Panagiotis Kotretsos, um patologista forense em Rodes. As amostras s\u00e3o enviadas para o laborat\u00f3rio de ADN do Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal da Pol\u00edcia Grega, de acordo com um protocolo da INTERPOL.\n\n\n\n<p>De acordo com a Cruz Vermelha, as dificuldades surgem normalmente quando as fam\u00edlias se encontram fora da UE e devem-se a uma s\u00e9rie de factores, como as diferen\u00e7as no quadro jur\u00eddico ou nos sistemas m\u00e9dicos dos pa\u00edses. Por exemplo, alguns pa\u00edses da UE n\u00e3o podem &#8220;abrir&#8221; um caso e recolher amostras de ADN das fam\u00edlias sem um mandato das autoridades do pa\u00eds onde o corpo do familiar procurado foi recuperado.<\/p> <p>\n\n\n\n<p>A parte mais dif\u00edcil do processo de identifica\u00e7\u00e3o por ADN \u00e9 o facto de ser necess\u00e1ria uma segunda amostra para ser comparada com a que foi recolhida pelos peritos forenses, que tem de ser enviada pelas fam\u00edlias das pessoas desaparecidas. &#8220;Para um refugiado que iniciou a sua viagem num pa\u00eds da \u00c1frica Central, viajou durante meses e morreu na Gr\u00e9cia, haver\u00e1 material gen\u00e9tico na morgue. Mas n\u00e3o haver\u00e1 correspond\u00eancia at\u00e9 que um familiar de primeiro grau envie uma amostra de ADN&#8221;, diz Kotretsos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica que isso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. &#8220;Recebemos telefonemas de familiares que estavam na S\u00edria, \u00e0 procura de familiares desaparecidos, e n\u00e3o puderam enviar amostras precisamente porque estavam na S\u00edria.&#8221;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Greece_DaphneTolis-9861-1536x1024-1-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23137\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Greece_DaphneTolis-9861-1536x1024-1-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Greece_DaphneTolis-9861-1536x1024-1-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Greece_DaphneTolis-9861-1536x1024-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Greece_DaphneTolis-9861-1536x1024-1.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Contentores refrigerados utilizados para armazenar corpos n\u00e3o identificados no exterior da morgue do Hospital de Alexandroupolis. Foto: Daphne Tolis<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Do lado de fora do hospital universit\u00e1rio de Alexandroupolis, dois contentores refrigerados fornecidos pela Cruz Vermelha como mortu\u00e1rios tempor\u00e1rios albergam os corpos de 40 refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Pavlos Pavlidis, professor de Medicina Legal na Universidade Dem\u00f3crito da Tr\u00e1cia, efectuou, desde 2000, aut\u00f3psias a pelo menos 800 corpos de pessoas em movimento, sendo as principais causas de morte o afogamento nas \u00e1guas do Evros e a hipotermia.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista forense vai al\u00e9m da necess\u00e1ria recolha de ADN: regista dados como marcas de nascen\u00e7a ou tatuagens e objectos (como carteiras, an\u00e9is, \u00f3culos), que podem ser o elo perdido para um familiar que procura um ente querido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele diz que um total de 313 corpos encontrados em Evros desde 2014 continuam por identificar. Aqueles que n\u00e3o podem ser identificados est\u00e3o enterrados num cemit\u00e9rio especial em Sidiro, que \u00e9 gerido pelo munic\u00edpio de Soufli, enquanto 15-20 corpos n\u00e3o identificados foram enterrados em Orestiada enquanto o cemit\u00e9rio de Sidiro estava a ser ampliado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os corpos dos refugiados mu\u00e7ulmanos que s\u00e3o identificados s\u00e3o enterrados no cemit\u00e9rio mu\u00e7ulmano de Messouni Komotini ou repatriados quando os familiares podem cobrir os custos do repatriamento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"964\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06-964x642.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23154\" style=\"width:440px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06-964x642.jpeg 964w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06-339x226.jpeg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06-768x511.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Screenshot-2024-02-05-at-11.33.06.jpeg 1877w\" sizes=\"auto, (max-width: 964px) 100vw, 964px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pe\u00e7as pessoais dos corpos de pessoas n\u00e3o identificadas encontradas na regi\u00e3o de Evros, na Gr\u00e9cia. <br>Foto: Daphne Tolis<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Isto n\u00e3o \u00e9 decente&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>Em resposta a perguntas, o Minist\u00e9rio da Imigra\u00e7\u00e3o e Asilo afirmou que a quest\u00e3o dos procedimentos de identifica\u00e7\u00e3o e enterro dos refugiados n\u00e3o \u00e9 da sua compet\u00eancia. Um porta-voz da Comiss\u00e3o afirmou que n\u00e3o estavam previstos fundos para a Gr\u00e9cia, mas que essas despesas &#8220;poderiam ser apoiadas no \u00e2mbito do programa nacional do Fundo para o Asilo, a Migra\u00e7\u00e3o e a Integra\u00e7\u00e3o&#8221;, que \u00e9 gerido pelo Minist\u00e9rio das Migra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Theodoros Nousias \u00e9 o patologista forense chefe do Servi\u00e7o Forense do Egeu do Norte, respons\u00e1vel pelas ilhas de Lesbos, Samos, Chios e Lemnos. De acordo com o m\u00e9dico legista, o processo de identifica\u00e7\u00e3o por ADN melhorou muito em rela\u00e7\u00e3o a alguns anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Nusias diz que sempre esteve dispon\u00edvel quando lhe pediram para identificar algu\u00e9m. &#8220;Temos de servir as pessoas, \u00e9 para isso que estamos l\u00e1. Servir as pessoas para que elas possam encontrar a sua fam\u00edlia&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico legista vive em Lesbos, mas diz que nunca foi ao cemit\u00e9rio de Kato Tritos. &#8220;N\u00e3o quero ir. Vai ser dif\u00edcil para mim porque a maior parte destas pessoas passaram pelas minhas m\u00e3os.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2022, Suja Ahmadi, de 32 anos, e a sua irm\u00e3 Marina tamb\u00e9m viajaram para Kythera e depois para Kalamata para identificar o corpo do seu pai, Abdul Ghasi.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem de 65 anos tinha iniciado a viagem para It\u00e1lia com a sua mulher Hatige &#8211; ela sobreviveu. Os dois irm\u00e3os visitaram o hospital, onde lhes foram mostrados os oito corpos, de homens e mulheres, apesar de terem explicado desde o in\u00edcio que o homem que procuravam era um homem.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo do pai estava entre os que estavam fora do frigor\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A minha irm\u00e3 chorava e gritava para que tirassem o nosso pai do contentor do frigor\u00edfico porque ele cheirava mal&#8221;, recorda Suja. &#8220;N\u00e3o era um s\u00edtio decente para um homem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Este artigo faz parte da investiga\u00e7\u00e3o 1000 Vidas, 0 Nomes: Border Graves investigation, how the EU is failing migrants&#8217; last rights&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sobre os autores:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Danai Maragoudaki<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma jornalista grega que vive em Atenas. Trabalha para o meio de comunica\u00e7\u00e3o social independente Solomon e \u00e9 membro da sua equipa de investiga\u00e7\u00e3o. As suas reportagens centram-se na transpar\u00eancia, nas finan\u00e7as e nas amea\u00e7as digitais.\n\n\n\n<p><strong>Daphne Tolis<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma produtora\/realizadora de document\u00e1rios premiada e jornalista multim\u00e9dia baseada em Atenas. Produziu e apresentou document\u00e1rios oportunos para a VICE Gr\u00e9cia e tem trabalhado como produtora e jornalista freelancer na Gr\u00e9cia para a BBC, Newsnight, VICE News, ABC News, PBS Newshour, NPR, Channel 4 e outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Editado <\/strong>por Stavros Malihoudis e Tina Lee<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sepulturas marcadas apenas com um pau, sepulturas cobertas de ervas daninhas: uma investiga\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a documenta a indiferen\u00e7a oficial em rela\u00e7\u00e3o ao enterro digno dos refugiados que perdem a vida na fronteira grega.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23183,"parent":0,"template":"","tags":[],"displeu_category":[],"class_list":["post-22287","article","type-article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article\/22287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22287"},{"taxonomy":"displeu_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/displeu_category?post=22287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}