{"id":22800,"date":"2024-01-31T21:42:10","date_gmt":"2024-01-31T20:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/article\/o-acolhimento-de-menores-nao-acompanhados-nas-ilhas-canarias-o-estado-tem-de-reagir\/"},"modified":"2024-02-06T18:47:57","modified_gmt":"2024-02-06T17:47:57","slug":"o-acolhimento-de-menores-nao-acompanhados-nas-ilhas-canarias-o-estado-tem-de-reagir","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/article\/o-acolhimento-de-menores-nao-acompanhados-nas-ilhas-canarias-o-estado-tem-de-reagir\/","title":{"rendered":"O acolhimento de menores n\u00e3o acompanhados nas Ilhas Can\u00e1rias: &#8220;O Estado tem de reagir&#8221;."},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 passou um ano desde que Hakim embarcou num barco para a Gran Canaria. Aos 16 anos, deixou Marrocos numa barca\u00e7a de madeira em busca de um bom futuro. A viagem durou quatro dias. Havia mais 50 pessoas no barco, mas ele estava sozinho. A sua fam\u00edlia ficou em Marraquexe. Com um sorriso t\u00edmido, diz que na sua terra natal era carpinteiro. Com o pouco dinheiro que ganhava e o sal\u00e1rio do pai, que trabalhava como barbeiro, os dois e a m\u00e3e, que trabalhava em casa, conseguiam fazer face \u00e0s despesas.<\/p>\n\n<p>Hakim \u00e9 um dos 5.065 menores n\u00e3o acompanhados que est\u00e3o sob a tutela do governo das Ilhas Can\u00e1rias, na sequ\u00eancia do aumento das chegadas de migrantes nos \u00faltimos meses. Um aumento que voltou a p\u00f4r \u00e0 prova o sistema de acolhimento no arquip\u00e9lago e reabriu a quest\u00e3o n\u00e3o resolvida da distribui\u00e7\u00e3o do acolhimento de menores que chegam \u00e0s ilhas para o resto de Espanha, algo que o governo regional tem vindo a exigir desde a emerg\u00eancia humanit\u00e1ria de 2020.<\/p>\n\n<p>A maioria dos migrantes que entraram em Espanha no ano passado fizeram-no atrav\u00e9s das Ilhas Can\u00e1rias. O arquip\u00e9lago bateu o seu recorde de chegadas, com o salvamento de 39.910 sobreviventes. A presen\u00e7a de crian\u00e7as e adolescentes na rota atl\u00e2ntica tamb\u00e9m aumentou em 2023, uma tend\u00eancia que se mant\u00e9m em janeiro deste ano. &#8220;As chegadas s\u00e3o j\u00e1 uma constante. N\u00e3o passa um m\u00eas sem que cheguem crian\u00e7as. S\u00f3 na primeira quinzena de janeiro, chegaram cerca de 49&#8221;, explica o vice-ministro do Bem-Estar Social do Governo das Can\u00e1rias, Francisco Candil. Perante esta situa\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/canariasahora\/migraciones\/clavijo-pide-sanchez-ejecute-reparto-obligatorio-ccaa-menores-extranjeros-llegan-canarias_1_10860453.html\">o presidente das Can\u00e1rias, Fernando Clavijo,<\/a> solicitou na semana passada ao governo central a realiza\u00e7\u00e3o de uma &#8220;distribui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria&#8221; pelas outras comunidades aut\u00f3nomas, com uma reparti\u00e7\u00e3o baseada em crit\u00e9rios de PIB per capita, popula\u00e7\u00e3o ou superf\u00edcie.  <\/p>\n\n<p>Segundo Candil, o facto de um \u00fanico territ\u00f3rio acolher crian\u00e7as em per\u00edodos de retoma pode resultar na viola\u00e7\u00e3o dos direitos das crian\u00e7as. &#8220;Nas Ilhas Can\u00e1rias, houve alturas em que nem sequer havia beliches. Tivemos de fazer tudo o que estava ao nosso alcance para responder \u00e0s chegadas&#8221;, afirma. Em outubro de 2023, o Minist\u00e9rio dos Direitos Sociais e a Agenda 2030 acordaram, no \u00e2mbito da Confer\u00eancia Sectorial sobre a Inf\u00e2ncia e a Adolesc\u00eancia, a distribui\u00e7\u00e3o de 347 menores que chegam \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias para o continente. Apesar deste pacto, desde junho at\u00e9 \u00e0 data, n\u00e3o se verificou qualquer encaminhamento para outras comunidades, segundo fontes do governo das Can\u00e1rias.  <\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Testes de determina\u00e7\u00e3o da idade  <\/strong> <\/h3>\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, tr\u00eas crian\u00e7as de dez anos chegaram ao centro de Tenerife onde Hakim vive. As suas fotografias coroam o seu quarto, decorado com peluches e jogos. &#8220;Os perfis mudaram. Est\u00e3o a chegar crian\u00e7as cada vez mais novas&#8221;, afirma a directora do centro, Patricia Lago. A fixa\u00e7\u00e3o da idade dos menores foi um dos elementos que agravaram a crise no arquip\u00e9lago.  <\/p>\n\n<p>Durante a emerg\u00eancia de 2020, o estrangulamento do teste de idade obrigou as crian\u00e7as <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/canariasahora\/migraciones\/amnistia-internacional-denuncia-presencia-menores-migrantes-centros-adultos-canarias_1_10654905.html\">a viver com adultos<\/a> de at\u00e9 40 anos nos mesmos centros. Atualmente, dos 5.065 menores sob a tutela das Can\u00e1rias, pelo menos 1.000 aguardam um teste para determinar a sua idade, segundo o Vice-Minist\u00e9rio. Por seu lado, Teseida Garc\u00eda, procuradora de estrangeiros da prov\u00edncia de Las Palmas, afirma que as coisas est\u00e3o a funcionar melhor do que h\u00e1 tr\u00eas anos. &#8220;As listas de espera que temos s\u00e3o normais, tendo em conta o n\u00famero de pessoas que temos&#8221;, explica.  <\/p>\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico disp\u00f5e de pessoal refor\u00e7ado e orgulha-se de uma boa coordena\u00e7\u00e3o com as ONG, a Pol\u00edcia Nacional e o Instituto de Medicina Legal. Para Garc\u00eda, o empenho nas primeiras revis\u00f5es \u00e9 fundamental: &#8220;N\u00e3o aceito que me tragam um dossier sobre um menor evidente, ou sobre um homem que se v\u00ea logo que \u00e9 mais velho&#8221;.  <\/p>\n\n<p>Por vezes, s\u00e3o as pr\u00f3prias entidades respons\u00e1veis pelos centros de adultos que detectam a presen\u00e7a de menores nas instala\u00e7\u00f5es. &#8220;Nestes casos, demoramos mais tempo porque temos de avaliar a documenta\u00e7\u00e3o que t\u00eam&#8221;, diz Garc\u00eda. &#8220;Telefonamos sempre aos menores, ouvimo-los e perguntamos-lhes sobre estes documentos. Avaliamos at\u00e9 as fotografias que enviam para os seus telem\u00f3veis. A prova m\u00e9dica \u00e9 sempre a \u00faltima op\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta. A fiabilidade destes testes foi posta em causa por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as, uma vez que utilizam padr\u00f5es de crian\u00e7as americanas e n\u00e3o africanas.  <\/p>\n\n<p>Garc\u00eda recorda que o decreto de determina\u00e7\u00e3o da idade \u00e9 &#8220;provis\u00f3rio&#8221;. &#8220;O problema que a comunidade aut\u00f3noma vai enfrentar ser\u00e1 a revis\u00e3o dos decretos. Quando estas crian\u00e7as come\u00e7arem a apresentar documentos, os decretos ter\u00e3o de ser reabertos e todas as provas ter\u00e3o de ser avaliadas&#8221;, sublinha o procurador. O procurador para os estrangeiros \u00e9 igualmente favor\u00e1vel a uma acelera\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias para o continente, mas insiste na import\u00e2ncia de determinar a idade de todos os menores que se encontram nas Ilhas Can\u00e1rias antes de os transferir. &#8220;Caso contr\u00e1rio, seria uma cat\u00e1strofe. Se os enviarmos sem uma certa idade, perdem toda a prote\u00e7\u00e3o porque os perdemos de vista&#8221;, afirma.  <\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O desafio da inclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n<p>Para o procurador para os estrangeiros, o bloqueio de todos os jovens nas Ilhas Can\u00e1rias \u00e9 contr\u00e1rio ao interesse superior da crian\u00e7a. &#8220;O facto de o arquip\u00e9lago ter de cuidar e formar 5.000 menores significa que estes t\u00eam menos oportunidades do que os de qualquer outra cidade com menos crian\u00e7as a cargo&#8221;, afirma. O ministro-adjunto da Seguran\u00e7a Social tamb\u00e9m segue esta linha: &#8220;O Estado deve reagir. N\u00e3o se trata apenas de lhes dar um teto e comida, mas tamb\u00e9m escola, cuidados de sa\u00fade e integra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n<p>Ao lado de Hakim, na sala de jantar do centro de acolhimento, est\u00e1 Seidou. Nasceu na regi\u00e3o de Fatick, no Senegal, e chegou a Tenerife em 2019 num cayuco com mais de uma centena de pessoas. Tinha 12 anos na altura e n\u00e3o sabia para onde ia. Nunca tinha ouvido falar das Ilhas Can\u00e1rias, apenas de Madrid ou Barcelona. Com um forte sotaque das Can\u00e1rias, recorda a sua viagem: &#8220;Durou uma semana e dois dias. Um outro rapaz e eu \u00e9ramos os \u00fanicos que tinham comida no barco, porque \u00e9ramos os mais pequenos&#8221;. Ele e Hakim t\u00eam agora 17 anos e encontraram no futebol, nos amigos, no amor e na m\u00fasica a <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/canariasahora\/migraciones\/menores-migrantes-no-acompanados-necesidad-estrategia-vida-adulta_1_10803315.html\">chave para a sua inclus\u00e3o<\/a>. &#8220;Os nossos cantores preferidos s\u00e3o Anuel e Morad&#8221;, riem-se.<\/p>\n\n<p>Patricia Lago, educadora social e directora de um dos centros de acolhimento do arquip\u00e9lago, afirma que as Can\u00e1rias t\u00eam um sistema de acolhimento &#8220;muito poderoso&#8221;. &#8220;Antes, o sistema era mais assistencialista. Atualmente, os educadores actuam como guias e tentam fazer com que as crian\u00e7as sejam protagonistas das suas pr\u00f3prias vidas&#8221;, defende. Segundo o educador, as ilhas t\u00eam em conta as necessidades dos jovens, a sua cultura e as suas emo\u00e7\u00f5es. &#8220;Deix\u00e1mos de ser c\u00e3es de guarda e pass\u00e1mos a dar-lhes as ferramentas para tomarem as suas pr\u00f3prias decis\u00f5es&#8221;, afirma.  <\/p>\n\n<p>O contacto com as fam\u00edlias em casa \u00e9 fundamental. Hakim, Seidou e os seus companheiros de centro falam com os seus entes queridos por videochamada todos os dias. &#8220;D\u00e1-lhes muita paz de esp\u00edrito. Tamb\u00e9m d\u00e1 \u00e0s suas fam\u00edlias e a n\u00f3s, educadores. Eles apoiam as crian\u00e7as a partir da\u00ed e n\u00f3s vamos na mesma dire\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Patricia Lago.  <\/p>\n\n<p>Para o educador, um dos desafios pendentes do sistema est\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o profissional. &#8220;Por vezes, \u00e9-lhes exigido o cumprimento de requisitos burocr\u00e1ticos que s\u00f3 as pessoas nascidas c\u00e1 podem ter, como por exemplo, ter o SSE&#8221;, diz. Em contrapartida, as Ilhas Can\u00e1rias conseguiram escolarizar as crian\u00e7as mais pequenas. &#8220;As crian\u00e7as de dez anos chegaram h\u00e1 algumas semanas e j\u00e1 est\u00e3o na escola&#8221;, comemora.  <\/p>\n\n<p>O Departamento dos Direitos Sociais garante que uma das principais linhas de trabalho em curso \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de menores em actividades laborais dif\u00edceis de encontrar, especialmente no sector prim\u00e1rio, no sector dos servi\u00e7os e na constru\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 permitir-lhes arranjar um emprego quando fizerem 18 anos.  <\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Extraleves  <\/strong><\/h3>\n\n<p>Outro objetivo do Governo das Ilhas Can\u00e1rias \u00e9 que todos os migrantes tenham a sua documenta\u00e7\u00e3o antes de atingirem a maioridade. Nesta altura, encontram pouca coopera\u00e7\u00e3o por parte dos consulados dos pa\u00edses de origem. &#8220;Imagino que seja devido \u00e0 complexidade da obten\u00e7\u00e3o dos documentos&#8221;, acrescenta Francisco Candil.  <\/p>\n\n<p>Vania Oliveros, advogada especializada em imigra\u00e7\u00e3o e assuntos de menores, diz que ela e os seus colegas s\u00e3o confrontados com &#8220;duas realidades&#8221;. Embora a administra\u00e7\u00e3o garanta que todos os migrantes partem com documenta\u00e7\u00e3o, no seu dia a dia verificam que &#8220;n\u00e3o \u00e9 esse o caso&#8221;. &#8220;Compreendemos que h\u00e1 um grande n\u00famero de barcos, mas o problema \u00e9 que o n\u00famero de profissionais na administra\u00e7\u00e3o continua a ser o mesmo&#8221;, afirma. A principal consequ\u00eancia: muitos jovens deixam o sistema numa situa\u00e7\u00e3o administrativa irregular.  <\/p>\n\n<p>Nestes casos, s\u00e3o os advogados colaboradores e as organiza\u00e7\u00f5es civis que se encarregam de ajudar os ex-reclusos a tratar de toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para obter a resid\u00eancia. &#8220;Os direitos das crian\u00e7as e dos jovens s\u00e3o violados porque o sistema n\u00e3o est\u00e1 dotado de recursos humanos e estruturais. Num territ\u00f3rio que est\u00e1 sempre a receber migrantes, continuamos a recorrer \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o&#8221;, critica Oliveros.<\/p>\n\n<p>Para o advogado, n\u00e3o basta dotar uma entidade de um or\u00e7amento para cobrir as necessidades b\u00e1sicas das crian\u00e7as. &#8220;Os direitos das crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o a ser tratados como deviam&#8221;, afirma. Entre as principais defici\u00eancias est\u00e1 a falta de especializa\u00e7\u00e3o no sector e a falta de uma aten\u00e7\u00e3o personalizada que tenha em conta a vulnerabilidade especial dos menores migrantes.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c0 margem do sistema de acolhimento  <\/strong><\/h3>\n\n<p>O sistema nas Ilhas Can\u00e1rias tamb\u00e9m mostrou as suas defici\u00eancias nos \u00faltimos meses. Em 24 de novembro, 20 menores fugiram de um centro de acolhimento na Gran Canaria e denunciaram aos tribunais agress\u00f5es f\u00edsicas, humilha\u00e7\u00f5es e abusos sexuais. Oito deles regressaram ao centro algumas horas mais tarde, mas os outros passaram at\u00e9 cinco noites na rua at\u00e9 que o governo das Ilhas Can\u00e1rias os recolocou noutros espa\u00e7os. Na altura, o Governo Regional justificou que os t\u00e9cnicos enviados para inspecionar o centro n\u00e3o tinham podido confirmar os factos relatados.  <\/p>\n\n<p>O dispositivo de onde fugiram \u00e9 gerido pela Fundaci\u00f3n Respuesta Social Siglo XXI, que j\u00e1 esteve envolvida noutros esc\u00e2ndalos nas Ilhas Can\u00e1rias. Quatro dos seus directores est\u00e3o a ser investigados por desvio de fundos p\u00fablicos, depois de o Minist\u00e9rio P\u00fablico ter alegado que utilizaram o dinheiro destinado aos menores para tratamentos de beleza pessoais, chinelos, hot\u00e9is de luxo e Viagra.  <\/p>\n\n<p>Moha \u00e9 outro dos menores que, apesar de ter chegado sozinho a Lanzarote, est\u00e1 fora do sistema de acolhimento. O seu caso \u00e9 ainda mais grave. Quando chegou \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias, foi detido, acusado de ser o capit\u00e3o do zod\u00edaco em que viajava. Apesar de ser menor de idade, passou tr\u00eas meses na pris\u00e3o de Tah\u00edche. &#8220;Estive l\u00e1 at\u00e9 o meu advogado obter a minha certid\u00e3o de nascimento&#8221;, conta. Moha chegou com 15 anos, mas o facto de saber que podia ir para um centro juvenil levou-o a dizer que era quatro anos mais velho. &#8220;Eu s\u00f3 queria trabalhar e mandar dinheiro para casa&#8221;, diz ela agora.  <\/p>\n\n<p>Alguns dos seus companheiros de viagem apontaram-no como o capit\u00e3o do bote, o que foi suficiente para o prender. A sua advogada, Sara Rodr\u00edguez, diz que se dirigiu ao Tribunal Superior de Justi\u00e7a das Can\u00e1rias (TSJC) com uma certid\u00e3o de nascimento e um relat\u00f3rio de determina\u00e7\u00e3o da idade que dizia que a faixa et\u00e1ria m\u00ednima era de 16 anos. Mesmo assim, o Tribunal concluiu que devia ser julgado como adulto porque, \u00e0 chegada, se declarou adulto. O caso est\u00e1 agora a ser apreciado pelo Supremo Tribunal. Entretanto, Moha est\u00e1 a viver com um familiar em Tenerife, embora, segundo fontes judiciais, devesse estar num centro de acolhimento gerido pelo governo regional. &#8220;Ainda bem que o tenho. Caso contr\u00e1rio, estaria na rua&#8221;, diz.<\/p>\n\n<p><em>*Os nomes das crian\u00e7as no relat\u00f3rio s\u00e3o fict\u00edcios para proteger a sua identidade.<\/em><\/p>\n\n<p><em>**Este relat\u00f3rio foi elaborado em colabora\u00e7\u00e3o com Canarias Ahora.<\/em><\/p>\n\n<p>Escrito por <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/autores\/natalia_g_vargas\/\">Natalia G. Vargas<\/a><\/p>\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n<p>Em coopera\u00e7\u00e3o com <a href=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/\">\n  <strong>Display Europe,<\/strong>\n<\/a> cofinanciado pela Uni\u00e3o Europeia. 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Nem a Uni\u00e3o Europeia nem a entidade que concede o aux\u00edlio podem ser responsabilizadas pelo seu conte\u00fado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento do n\u00famero de chegadas \u00e0s ilhas e a tend\u00eancia crescente de crian\u00e7as e adolescentes que atravessam sozinhos o Atl\u00e2ntico p\u00f5em mais uma vez \u00e0 prova o sistema de acolhimento no arquip\u00e9lago, que exige uma distribui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria por outras comunidades aut\u00f3nomas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23411,"parent":0,"template":"","tags":[],"displeu_category":[],"class_list":["post-22800","article","type-article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article\/22800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22800"},{"taxonomy":"displeu_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/displeu_category?post=22800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}