{"id":23986,"date":"2023-12-08T13:23:20","date_gmt":"2023-12-08T12:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/?post_type=article&#038;p=23986"},"modified":"2024-02-25T14:40:11","modified_gmt":"2024-02-25T13:40:11","slug":"buras-na-oposicao-o-pis-nao-tera-qualquer-impedimento-para-usar-a-carta-anti-ucraniana","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/article\/buras-na-oposicao-o-pis-nao-tera-qualquer-impedimento-para-usar-a-carta-anti-ucraniana\/","title":{"rendered":"Buras: Na oposi\u00e7\u00e3o, o PiS n\u00e3o ter\u00e1 qualquer impedimento para usar a carta anti-ucraniana"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Jakub Majmurek: Tusk, mesmo antes de se tornar primeiro-ministro, embarcou na sua primeira viagem ao estrangeiro &#8211; a Bruxelas &#8211; para abordar a quest\u00e3o da KPO. Considera que uma mudan\u00e7a de poder na Pol\u00f3nia poder\u00e1, por si s\u00f3, desbloquear os fundos da UE?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p><strong>Piotr Buras:<\/strong> N\u00e3o sabemos exatamente o que Tusk ouviu de Ursula von der Leyen, mas n\u00e3o creio que tenha sido assim t\u00e3o simples. Embora a Comiss\u00e3o Europeia queira claramente desembolsar os fundos do PIN \u00e0 Pol\u00f3nia o mais rapidamente poss\u00edvel, o Governo polaco ter\u00e1 de apresentar, pelo menos, um plano sobre a forma de restabelecer o Estado de direito e cumprir outros objectivos.<\/p>\n\n<p><strong><em>Ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1ria uma altera\u00e7\u00e3o estatut\u00e1ria que inverta as reformas judiciais do PiS?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Sim, espero que o novo parlamento tenha de apresentar uma lei que v\u00e1 ao encontro das expectativas da Comiss\u00e3o e mostre que est\u00e1, pelo menos, a tentar comunicar com o Presidente sobre esta quest\u00e3o. No entanto, se o Presidente vetar a proposta ou a enviar novamente para o Tribunal, onde ficar\u00e1 bloqueada como a anterior, a Comiss\u00e3o poder\u00e1 considerar que o Governo de Tusk fez o que estava ao seu alcance e concordou em renegociar os objectivos para desbloquear os fundos.<\/p>\n\n<p><strong><em>Ent\u00e3o n\u00e3o acredita que os fundos do PIN cheguem este ano?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 bem assim. O que poder\u00e1 entrar este ano s\u00e3o 5 mil milh\u00f5es de euros do fundo Repower Europe. Trata-se de um novo fundo que faz formalmente parte da KPO e n\u00e3o exige que cumpramos os crit\u00e9rios legislativos.<\/p>\n\n<p>Mas tamb\u00e9m aqui h\u00e1 um problema: a Comiss\u00e3o Europeia tem at\u00e9 21 de novembro para tomar uma decis\u00e3o sobre o assunto. O Governo de Morawiecki apresentou as suas propostas de utiliza\u00e7\u00e3o destes fundos em agosto, mas a Comiss\u00e3o n\u00e3o gostou delas. Assim, resta saber se o atual governo apresentar\u00e1 uma nova vers\u00e3o da proposta a tempo. Duvido, porque o dinheiro j\u00e1 deve ter sido recolhido por Tusk, e o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a n\u00e3o tem qualquer raz\u00e3o para oferecer uma tal prenda ao novo primeiro-ministro. Por outro lado, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que um novo governo esteja em fun\u00e7\u00f5es nessa altura. Em teoria, o Presidente poderia nomear Donald Tusk como Primeiro-Ministro indigitado j\u00e1 em 13 de novembro, o Sejm aprovar o seu governo na mesma semana e Tusk apresentar um novo plano at\u00e9 ao dia 21, mas tal \u00e9 improv\u00e1vel.<\/p>\n\n<p><strong><em>Houve uma sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio em Bruxelas e nas principais capitais europeias ap\u00f3s a vit\u00f3ria da nova coliga\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A Europa temia um cen\u00e1rio em que o PiS ganhasse pela terceira vez, &#8220;recompensado&#8221;, por assim dizer, pelo seu rumo de confronto com a Europa. Isto solidificaria as atitudes anti-europeias do PiS e refor\u00e7aria ainda mais as suas pol\u00edticas no seu terceiro mandato. Um terceiro governo do Direito e Justi\u00e7a formaria tamb\u00e9m, muito provavelmente, um eixo euroc\u00e9tico com a Hungria de Orb\u00e1n, talvez ainda com a Eslov\u00e1quia de Fica e a It\u00e1lia de Meloni, o que afectaria n\u00e3o s\u00f3 as rela\u00e7\u00f5es com a Comiss\u00e3o Europeia, mas tamb\u00e9m no seio do Conselho Europeu &#8211; ou seja, a assembleia de chefes de governo que toma as decis\u00f5es fundamentais na Uni\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Entretanto, est\u00e1 agora a chegar ao poder num grande pa\u00eds europeu um governo que, mesmo que nem sempre concorde com a Fran\u00e7a e a Alemanha, ter\u00e1 uma abordagem mais construtiva e n\u00e3o querer\u00e1 utilizar a pol\u00edtica europeia como um instrumento para criar divis\u00f5es na pol\u00edtica nacional. \u00c9 certamente um suspiro de al\u00edvio.<\/p>\n\n<p><strong><em>Ent\u00e3o a Pol\u00f3nia vai voltar a sentar-se \u00e0 mesa dos adultos em Bruxelas?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>N\u00e3o gosto de descrever a pol\u00edtica com estas met\u00e1foras. A pol\u00edtica internacional n\u00e3o funciona assim. Se quisermos ser tratados como parceiros por Bruxelas ou pela Alemanha, n\u00f3s pr\u00f3prios temos de come\u00e7ar a trat\u00e1-los como parceiros &#8211; a possibilidade de sermos ouvidos depende disso.<\/p>\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 um facto que provavelmente nenhum governo polaco no in\u00edcio tinha um cr\u00e9dito de confian\u00e7a em Bruxelas t\u00e3o grande como o novo governo de Tusk ter\u00e1. Porque o contraste com o anterior \u00e9 imenso. Mas o facto de ser ouvida depende do que tem para dizer. Tenciona encetar um di\u00e1logo construtivo sobre o futuro da Uni\u00e3o, sobre o seu alargamento, sobre o problema da migra\u00e7\u00e3o? O que, por sua vez, depende do espa\u00e7o pol\u00edtico que Tusk ter\u00e1 no pa\u00eds para esse debate.<\/p>\n\n<p><strong><em>Na altura em que Tusk falava com von der Leyen, a Comiss\u00e3o para a Promo\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos estava em sess\u00e3o. A Comiss\u00e3o dos Assuntos Constitucionais do Parlamento Europeu votou no sentido de remeter os projectos de altera\u00e7\u00e3o aos Tratados da UE para posterior delibera\u00e7\u00e3o. Tusk j\u00e1 disse que est\u00e1 c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o a eles. Como \u00e9 que o seu governo deve responder a este debate?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Penso que vale a pena salientar, desde j\u00e1, como funciona o processo constitucional na UE, porque na Pol\u00f3nia o debate sobre a altera\u00e7\u00e3o dos Tratados est\u00e1 a causar grande agita\u00e7\u00e3o, aquecida pela direita.<\/p>\n\n<p>Em primeiro lugar, o Parlamento Europeu n\u00e3o pode votar para alterar os Tratados. A vota\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Constitucional p\u00f5e em marcha um processo muito longo, cujo resultado \u00e9 incerto &#8211; porque quaisquer altera\u00e7\u00f5es aos Tratados t\u00eam, em \u00faltima an\u00e1lise, de ser acordadas pelos Estados-Membros. Poder\u00e3o ser bloqueados pela Pol\u00f3nia, Hungria ou Eslov\u00e1quia.<\/p>\n\n<p>Em segundo lugar, estas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o, de todo, t\u00e3o revolucion\u00e1rias como \u00e9 retratado pela direita polaca.<\/p>\n\n<p><strong><em>A aboli\u00e7\u00e3o do veto nas vota\u00e7\u00f5es do Conselho Europeu n\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Isto ainda n\u00e3o cria um super-Estado europeu, como amea\u00e7a o atual governo. Muitas das altera\u00e7\u00f5es propostas fazem sentido &#8211; por exemplo, a aboli\u00e7\u00e3o do direito de veto aquando da abertura de cap\u00edtulos sucessivos das negocia\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o com os Estados-Membros. Desta forma, um pa\u00eds, para ganhar algo para si na UE, n\u00e3o poder\u00e1 bloquear o processo de ades\u00e3o de um pa\u00eds candidato, que est\u00e1 a implementar as sucessivas fases de ades\u00e3o de forma exemplar. A supress\u00e3o do veto em mat\u00e9ria de pol\u00edtica externa impedir\u00e1 igualmente que um pa\u00eds bloqueie as san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p>Muitas destas propostas parecem mais revolucion\u00e1rias do que s\u00e3o na realidade. Por exemplo, uma pol\u00edtica de defesa comum. N\u00e3o \u00e9 verdade que a Europa tenha agora de abandonar a NATO e criar um ex\u00e9rcito europeu para ser o principal garante da seguran\u00e7a na regi\u00e3o. Para que a Uni\u00e3o Europeia ou os Estados membros seleccionados construam uma capacidade capaz de substituir a NATO, seriam necess\u00e1rios 12-20 anos de investimento militar.<\/p>\n\n<p>\u00c9 por isso que a perspetiva de uma retirada americana da Europa ou mesmo de uma reorienta\u00e7\u00e3o dos recursos dos EUA para o Indo-Pac\u00edfico \u00e9 t\u00e3o preocupante. E muito provavelmente, tamb\u00e9m, se um republicano ganhar &#8211; porque cada vez mais pol\u00edticos desse partido acreditam que a Europa deve assumir muito mais responsabilidade pela sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a. Por conseguinte, \u00e9 importante que a pol\u00edtica de seguran\u00e7a polaca tenha tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o europeia.<\/p>\n\n<p><strong><em>Em que \u00e9 que consistiria especificamente?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A quest\u00e3o fundamental \u00e9: at\u00e9 que ponto deve a Pol\u00f3nia participar na coopera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria europeia de armamento? Porque por muito que falemos de ex\u00e9rcitos europeus conjuntos, de quart\u00e9is-generais, de manobras, o problema fundamental continua a ser o facto de a Europa n\u00e3o conseguir produzir armas e muni\u00e7\u00f5es suficientes &#8211; como se pode ver, por exemplo, na transfer\u00eancia de armas para a Ucr\u00e2nia. Este \u00e9 atualmente o desafio fundamental que a Europa enfrenta: aumentar as capacidades da nossa ind\u00fastria de defesa.<\/p>\n\n<p><strong><em>Como \u00e9 que isso pode ser feito?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Por exemplo, poderia ser criado um fundo especial para financiar essas despesas. Mas isso exige uma maior coordena\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias nacionais de defesa. A quest\u00e3o \u00e9 saber se a Pol\u00f3nia poder\u00e1 aderir a este projeto, uma vez que j\u00e1 assumimos compromissos muito s\u00e9rios de aquisi\u00e7\u00e3o de equipamento nos EUA e na Coreia do Sul.<\/p>\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o aderimos \u00e0 iniciativa alem\u00e3 &#8220;European Sky Shield&#8221; porque estamos a desenvolver um projeto semelhante com os americanos, o que se exclui mutuamente. Ao mesmo tempo, nada nos impede de apoiar os esfor\u00e7os europeus neste dom\u00ednio. Aumentar as capacidades de defesa da Europa \u00e9 do nosso interesse, mais cedo ou mais tarde a Europa ter\u00e1 de assumir uma responsabilidade mais ativa pela sua seguran\u00e7a, o que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel sem coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong><em>Voltando \u00e0s propostas de altera\u00e7\u00e3o do Tratado &#8211; se n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o revolucion\u00e1rias, porque \u00e9 que Tusk se mant\u00e9m c\u00e9tico?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Muitas capitais europeias est\u00e3o c\u00e9pticas. Penso que, nas suas reservas quanto \u00e0 altera\u00e7\u00e3o dos Tratados, Donald Tusk se manter\u00e1, tanto quanto poss\u00edvel, na corrente principal da pol\u00edtica europeia, juntamente com os pa\u00edses escandinavos, os Estados B\u00e1lticos e a \u00c1ustria. \u00c9 por isso que estou c\u00e9tico quanto \u00e0 probabilidade de uma altera\u00e7\u00e3o profunda do Tratado.<\/p>\n\n<p>No entanto, penso que o Governo polaco deve manter-se aberto a uma discuss\u00e3o construtiva sobre o futuro da Europa. Porque as altera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m podem ser feitas de outras formas que n\u00e3o a revis\u00e3o dos tratados. Para contar nesta discuss\u00e3o, o Governo polaco tem de come\u00e7ar por falar, apresentar algumas propostas pr\u00f3prias e n\u00e3o se limitar a acusar a Alemanha e a Fran\u00e7a &#8211; que apresentaram as suas propostas de reforma &#8211; de tentarem dominar a Uni\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong><em>Ser\u00e1 que algumas das altera\u00e7\u00f5es adoptadas pela comiss\u00e3o do PE n\u00e3o beneficiariam a Pol\u00f3nia? Por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o europeia da energia ou o refor\u00e7o das disposi\u00e7\u00f5es que condicionam o acesso aos fundos europeus ao respeito pelo Estado de direito &#8211; o que constituiria uma ap\u00f3lice de seguro adicional para proteger os cidad\u00e3os polacos contra os excessos do populismo de direita.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>A Uni\u00e3o da Energia re\u00fane, em grande medida, pol\u00edticas que a Europa tem vindo a seguir desde h\u00e1 algum tempo. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de uma grande revolu\u00e7\u00e3o. Afinal de contas, j\u00e1 dispomos de mecanismos que permitem \u00e0 UE comprar g\u00e1s em conjunto. Mesmo antes de Tusk ser um dos criadores desta solu\u00e7\u00e3o, demor\u00e1mos muito tempo a convencer os nossos parceiros europeus. Portanto, sim, esta \u00e9 definitivamente uma solu\u00e7\u00e3o que serve a Pol\u00f3nia.<\/p>\n\n<p>No que se refere \u00e0 quest\u00e3o do Estado de direito, o novo governo ter\u00e1 um mandato claro para se pronunciar fortemente a favor do refor\u00e7o dos mecanismos de prote\u00e7\u00e3o do Estado de direito na Uni\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 em termos da condicionalidade do acesso aos fundos europeus, mas tamb\u00e9m dos ac\u00f3rd\u00e3os do Tribunal de Justi\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio garantir que a Comiss\u00e3o actue de forma decisiva sempre que os Estados-Membros ignorem os ac\u00f3rd\u00e3os do TJUE sobre o Estado de direito. Porque disp\u00f5e dos instrumentos adequados, como as elevadas san\u00e7\u00f5es financeiras, mas nem sempre os utiliza.<\/p>\n\n<p>E n\u00e3o se devem repetir situa\u00e7\u00f5es como a que aconteceu na Pol\u00f3nia, quando o governo PiS, com as m\u00e3os do Tribunal Przy\u0142\u0119bska, &#8220;anulou&#8221; decis\u00f5es do TJUE e rejeitou efetivamente o princ\u00edpio fundamental da supremacia do direito comunit\u00e1rio sobre o direito nacional. Este \u00e9 o caminho para a anarquia total, destruindo todo o sistema jur\u00eddico da UE. Se n\u00e3o resolvermos esta quest\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 o alargamento da Uni\u00e3o, incluindo <a href=\"https:\/\/krytykapolityczna.pl\/temat\/ukraina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a Ucr\u00e2nia<\/a>, que gostar\u00edamos de ver.<\/p>\n\n<p><strong><em>Porqu\u00ea?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Porque se n\u00e3o refor\u00e7armos os mecanismos do Estado de direito, os Estados da Uni\u00e3o, especialmente aqueles que se mostraram c\u00e9pticos em rela\u00e7\u00e3o ao alargamento desde o in\u00edcio, ter\u00e3o o argumento de que se os novos Estados se recusarem a cumprir o Estado de direito, n\u00e3o h\u00e1 basicamente nada que possamos fazer.<\/p>\n\n<p><strong><em>Se a Uni\u00e3o n\u00e3o mudar, n\u00e3o corremos o risco de uma Europa a v\u00e1rias velocidades e de a Pol\u00f3nia ser empurrada mais para dentro do c\u00edrculo da integra\u00e7\u00e3o? Ou ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, mas sim o local ideal para n\u00f3s?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>O n\u00facleo da integra\u00e7\u00e3o \u00e9 o mercado comum, que engloba todos os pa\u00edses da Uni\u00e3o. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 depend\u00eancia da Uni\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mercado comum, \u00e9 dif\u00edcil para qualquer pa\u00eds recuar no contexto da integra\u00e7\u00e3o ou para qualquer um deles come\u00e7ar a integrar-se mais profundamente no mesmo. \u00c9 imposs\u00edvel criar um mercado comum a duas velocidades.<\/p>\n\n<p>Permitam-me que vos d\u00ea um exemplo: tem havido reivindica\u00e7\u00f5es do lado da Lei e da Justi\u00e7a de que a Pol\u00f3nia deveria assinar fora da pol\u00edtica clim\u00e1tica da Uni\u00e3o. Mas isso n\u00e3o pode ser feito enquanto se permanece no mercado comum, porque se os operadores polacos n\u00e3o estivessem vinculados \u00e0s regras de carbono da UE, isso violaria as regras de concorr\u00eancia justa e igualit\u00e1ria. Pelas mesmas raz\u00f5es, os pa\u00edses seleccionados n\u00e3o podem aprofundar a integra\u00e7\u00e3o das suas pol\u00edticas energ\u00e9ticas.<\/p>\n\n<p>A integra\u00e7\u00e3o em dom\u00ednios n\u00e3o diretamente relacionados com o mercado comum \u00e9 muito mais f\u00e1cil de conseguir: por exemplo, a coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de pol\u00edtica de defesa ou de pol\u00edtica de migra\u00e7\u00e3o. Neste caso, de facto, v\u00e1rios pa\u00edses podem decidir que est\u00e3o a trabalhar mais estreitamente em conjunto.<\/p>\n\n<p><strong><em>No entanto, existe uma zona mais integrada no mercado \u00fanico: a zona euro.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Isto \u00e9 verdade, mas inclui a maioria dos pa\u00edses que pertencem ao mercado comum &#8211; a Pol\u00f3nia \u00e9 uma das excep\u00e7\u00f5es. Mas admito um cen\u00e1rio em que a zona euro se fortale\u00e7a \u00e0 custa dos outros membros.<\/p>\n\n<p>Exceto que este cen\u00e1rio seria muito mais prov\u00e1vel se o PiS ainda estivesse no poder. Porque, nesse caso, tal medida faria sentido, pois afastaria os pa\u00edses politicamente problem\u00e1ticos, bloqueando o funcionamento da Uni\u00e3o, dos problemas da zona euro. Agora, este cen\u00e1rio ser\u00e1 provavelmente posto de parte e, em vez disso, haver\u00e1 press\u00e3o sobre a Pol\u00f3nia para aderir \u00e0 zona euro. Penso que devemos interessar-nos por esta perspetiva.<\/p>\n\n<p><strong><em>Quais poder\u00e3o ser os maiores conflitos do novo governo com as grandes capitais europeias, Berlim e Paris?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>O problema com o governo de Morawiecki era que ele simplesmente n\u00e3o queria resolver certos problemas &#8211; como a migra\u00e7\u00e3o &#8211; porque estes serviam de combust\u00edvel para a sua pol\u00edtica interna. Esta situa\u00e7\u00e3o deve e tem de mudar. Isto n\u00e3o eliminar\u00e1 os assuntos pol\u00e9micos, mas levar-nos-\u00e1 a procurar acordos, e os compromissos n\u00e3o ser\u00e3o equiparados a fracasso. As diverg\u00eancias de opini\u00e3o e as tens\u00f5es relacionadas com a pol\u00edtica de concorr\u00eancia (a quest\u00e3o dos subs\u00eddios, para os quais a Alemanha tem muito dinheiro e n\u00f3s e outros pa\u00edses muito menos), o or\u00e7amento da UE ou a pol\u00edtica de seguran\u00e7a manter-se-\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o da energia nuclear, se deve ou n\u00e3o ser apoiada como energia renov\u00e1vel, \u00e9 um assunto que vai certamente suscitar pol\u00e9mica. Aqui temos uma vis\u00e3o diferente da de Berlim, trabalh\u00e1mos mais com a Fran\u00e7a e n\u00e3o creio que isso v\u00e1 mudar.<\/p>\n\n<p><strong><em>E a pol\u00edtica de migra\u00e7\u00e3o do novo governo?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Espero que o novo governo restabele\u00e7a o Estado de direito na fronteira para que os pedidos de asilo dos migrantes comecem a ser processados. No entanto, isto significa que vamos enfrentar um problema semelhante ao que os italianos, os gregos e os alem\u00e3es enfrentam atualmente: haver\u00e1 um grande n\u00famero de pessoas cujo pedido de asilo foi rejeitado e a quest\u00e3o ser\u00e1 o que fazer com elas, se e como as enviar de volta para o seu pa\u00eds de origem. N\u00e3o pode ser resolvido sem a coopera\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e dos seus Estados. Porque a Pol\u00f3nia, por si s\u00f3, n\u00e3o conseguir\u00e1 negociar acordos de readmiss\u00e3o com os pa\u00edses de origem dos migrantes.<\/p>\n\n<p><strong><em>Afirmou que o novo governo n\u00e3o vai utilizar a quest\u00e3o europeia para fazer pol\u00edtica interna. Mas n\u00e3o se pode contar que o Partido da Lei e da Justi\u00e7a n\u00e3o o fa\u00e7a a partir das bancadas da oposi\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>E digo mais: os par\u00e2metros do debate europeu polaco v\u00e3o mudar, na verdade j\u00e1 mudaram. Teremos uma oposi\u00e7\u00e3o de dois ou tr\u00eas, contando com a Pol\u00f3nia Soberana, partidos mais ou menos euroc\u00e9pticos.<\/p>\n\n<p>O PiS radicalizou as suas posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 UE. Toda esta discuss\u00e3o sobre um super-Estado europeu, o retrato do futuro governo de Tusk como uma amea\u00e7a \u00e0 independ\u00eancia polaca &#8211; como Jaros\u0142aw Sellin disse na noite das elei\u00e7\u00f5es -, a campanha dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social de direita contra as altera\u00e7\u00f5es aos tratados europeus: tudo isto \u00e9, na minha opini\u00e3o, um prel\u00fadio do debate muito polarizado em torno da Europa que nos espera em breve. Os partidos de oposi\u00e7\u00e3o de direita competir\u00e3o por um eleitorado cada vez mais euroc\u00e9tico, o que alimentar\u00e1 a sua radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong><em>At\u00e9 \u00e0 data, o PiS tem-se defendido do r\u00f3tulo de &#8220;partido do p\u00f3s-lexit&#8221; ou mesmo anti-europeu, uma vez que as atitudes do p\u00fablico se t\u00eam mantido fortemente pr\u00f3-europeias. Isto pode mudar?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>\u00c9 disto que tenho medo. O apoio \u00e0 UE \u00e9 menor na Pol\u00f3nia do que as respostas \u00e0 pergunta &#8220;apoia a presen\u00e7a da Pol\u00f3nia na UE&#8221; poderiam indicar. Um inqu\u00e9rito da CBOS realizado no ano passado revelou que 33% dos Os polacos, ou seja, um em cada tr\u00eas, consideram que o facto de pertencermos \u00e0 Uni\u00e3o limita demasiado a nossa soberania.<\/p>\n\n<p>O PiS pode efetivamente mobilizar um sentimento p\u00fablico semelhante, especialmente em torno da reforma da UE e da poss\u00edvel ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Porque, na oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ter\u00e1 qualquer freio para usar ainda mais fortemente a carta anti-ucraniana. Do mesmo modo, o sentimento anti-europeu poderia ser desencadeado se nos torn\u00e1ssemos um contribuinte l\u00edquido para o or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong><em>E a pol\u00edtica clim\u00e1tica da UE n\u00e3o o faz?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Tamb\u00e9m. Este facto \u00e9 bem vis\u00edvel no exemplo da Alemanha. A sociedade alem\u00e3 \u00e9, em geral, pr\u00f3-europeia, mas quando os efeitos da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica come\u00e7aram a afetar o cidad\u00e3o comum em termos reais, o estado de esp\u00edrito mudou &#8211; como mostram os resultados da Alternativa para a Alemanha, de extrema-direita. Trata-se de um conto de advert\u00eancia sobre as consequ\u00eancias de uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica efectuada sem ter em conta os custos sociais.<\/p>\n\n<p>O contexto polaco \u00e9, evidentemente, diferente do alem\u00e3o, mas a combina\u00e7\u00e3o dos custos da transi\u00e7\u00e3o verde, a propaganda negra contra as reformas da UE, as disputas bilaterais com a Ucr\u00e2nia &#8211; que, como vimos, explodiram facilmente nos \u00faltimos meses &#8211; podem revelar-se explosivas. O exemplo brit\u00e2nico mostra a rapidez com que o sentimento p\u00fablico pode mudar. N\u00e3o digo que o p\u00f3s-lexit seja uma perspetiva realista, mas n\u00e3o ficarei surpreendido se um partido lan\u00e7ar o slogan de deixar a Uni\u00e3o porque esta est\u00e1 a avan\u00e7ar demasiado na dire\u00e7\u00e3o &#8220;federal&#8221;. E quando um partido s\u00e9rio levanta oficialmente um slogan destes, muda os par\u00e2metros de toda a discuss\u00e3o sobre a Europa.<\/p>\n\n<p>A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 a seguinte: como \u00e9 que o novo governo vai abordar esta quest\u00e3o? Ser\u00e1 que vai sucumbir ao discurso da soberania? Pelo contr\u00e1rio, ser\u00e1 que Tusk vai traduzir a pergunta que fez na campanha &#8220;queremos estar dentro ou fora da Uni\u00e3o&#8221; numa pergunta sobre as reformas da UE, a pol\u00edtica ativa da Pol\u00f3nia na Uni\u00e3o, o euro.<\/p>\n\n<p><strong><em>N\u00e3o estaremos perante uma vaga de populismo de direita nas elei\u00e7\u00f5es europeias desta primavera?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Podemos certamente constatar um aumento do apoio \u00e0 direita radical em muitos pa\u00edses da Uni\u00e3o. Ao mesmo tempo, nestas elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se tornar\u00e3o ainda a nova corrente dominante europeia, refor\u00e7ar-se-\u00e3o, mas n\u00e3o o suficiente para ter um impacto real na maioria parlamentar do PE. Mas ainda n\u00e3o sabemos como ser\u00e1 nos pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n<p><strong><em>O novo governo n\u00e3o vai dividir a sua pol\u00edtica externa com o Presidente Duda? Ser\u00e1 que vamos ser confrontados com novas disputas sobre a presid\u00eancia nas cimeiras da UE, como nos dias em que Tusk era primeiro-ministro e Lech Kaczy\u0144ski era presidente?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Tudo depende da forma como Andrzej Duda v\u00ea o seu futuro pol\u00edtico. Se o final da sua presid\u00eancia for dedicado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da sua posi\u00e7\u00e3o na direita polaca, a coopera\u00e7\u00e3o com um governo pr\u00f3-europeu poder\u00e1 revelar-se dif\u00edcil.<\/p>\n\n<p>H\u00e1 certamente problemas com a lei recentemente adoptada que define a coopera\u00e7\u00e3o entre o Presidente e o Governo em quest\u00f5es de pol\u00edtica europeia, o que pode ser uma fonte de tens\u00e3o e de disputas sobre quem deve representar devidamente a Pol\u00f3nia na Europa. E isto numa altura em que vamos ocupar a Presid\u00eancia da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Penso que o objetivo principal do projeto de lei pode mesmo ter sido o de espetar um pau nos raios da pol\u00edtica externa do novo governo. Porque n\u00e3o consigo imaginar Tusk a concordar que a Pol\u00f3nia seja representada por Duda nas cimeiras da UE.<\/p>\n\n<p><strong><em>Quando Tusk e o Presidente Kaczynski se deslocaram a uma das cimeiras em conflito, o Governo n\u00e3o quis fornecer um avi\u00e3o ao Presidente, mas a Chancelaria arranjou um avi\u00e3o fretado com a LOT.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Sim, era grotesco. Situa\u00e7\u00f5es semelhantes, se repetidas, n\u00e3o servir\u00e3o certamente os interesses da Pol\u00f3nia.<\/p>\n\n<p><strong><em>Como ser\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es do novo governo com Kiev? Tusk deveria ir para l\u00e1 como uma das primeiras capitais? O conflito em torno dos cereais n\u00e3o desaparecer\u00e1 com a mudan\u00e7a de poder, pois h\u00e1 aqui verdadeiras diferen\u00e7as de interesses.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Penso que Tusk deveria deslocar-se a Kiev como Primeiro-Ministro imediatamente ap\u00f3s a sua visita a Bruxelas. \u00c9 claro que os problemas com os cereais ucranianos n\u00e3o v\u00e3o desaparecer, especialmente no contexto da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 Uni\u00e3o. Mas, nos \u00faltimos meses, o problema, mais do que o conflito de interesses objetivo, tem sido a forma como este tem sido apresentado na pol\u00edtica nacional.<\/p>\n\n<p>O PiS come\u00e7ou por ignorar o <a href=\"https:\/\/krytykapolityczna.pl\/kraj\/spor-wokol-ukrainskiego-zboza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">problema dos cereais ucranianos<\/a> que inundaram o mercado durante meses e n\u00e3o tentou encontrar uma solu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es com a Comiss\u00e3o Europeia e a parte ucraniana. Pelo contr\u00e1rio, no ver\u00e3o deste ano, a resolu\u00e7\u00e3o do problema deixou simplesmente de interessar aos detentores do poder &#8211; porque o facto de se dar import\u00e2ncia ao assunto foi considerado rent\u00e1vel para a campanha eleitoral. O novo governo ter\u00e1, portanto, de se sentar calmamente com os ucranianos, os representantes da Comiss\u00e3o e outros pa\u00edses interessados e procurar uma solu\u00e7\u00e3o para este tri\u00e2ngulo.<\/p>\n\n<p>Em geral, dispomos de muitos dados contradit\u00f3rios sobre os cereais ucranianos no mercado polaco. A Comiss\u00e3o Europeia afirma, por exemplo, que n\u00e3o se registaram perturba\u00e7\u00f5es graves no mercado que justificassem o encerramento do mercado aos cereais ucranianos. O Governo de Morawiecki afirma o contr\u00e1rio. Os analistas de mercado, por outro lado, salientaram que o maior problema para os agricultores polacos este ver\u00e3o foram os pre\u00e7os baixos, mas que estes n\u00e3o foram causados pelas importa\u00e7\u00f5es de cereais para a Pol\u00f3nia, mas sim pela situa\u00e7\u00e3o nos mercados mundiais &#8211; que tamb\u00e9m influenciam o pre\u00e7o dos cereais na Pol\u00f3nia.<\/p>\n\n<p><strong><em>Antes de o partido Lei e Justi\u00e7a se desentender com a <a href=\"https:\/\/krytykapolityczna.pl\/temat\/ukraina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ucr\u00e2nia<\/a>, havia at\u00e9 fantasias de um Inter-Mediterr\u00e2neo polaco-ucraniano, representando um novo p\u00f3lo na Europa, equilibrando a influ\u00eancia alem\u00e3.<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>S\u00e3o fantasias que n\u00e3o interessam aos ucranianos. Kiev n\u00e3o quer que a Pol\u00f3nia desempenhe o papel de seu &#8220;defensor&#8221; no mundo, uma vez que j\u00e1 demonstrou ser capaz de conduzir uma pol\u00edtica global muito assertiva. Se somos um parceiro atrativo para a Ucr\u00e2nia, \u00e9 na dimens\u00e3o da ades\u00e3o \u00e0 UE.<\/p>\n\n<p>No debate p\u00fablico polaco, todos declaram o seu apoio, mas h\u00e1 muita hipocrisia e pouca for\u00e7a concetual nessas declara\u00e7\u00f5es. Porque a ades\u00e3o significa ter de resolver uma s\u00e9rie de problemas. Se ao menos o or\u00e7amento da UE. Pode n\u00e3o acontecer que n\u00e3o haja dinheiro para pa\u00edses como a Pol\u00f3nia em resultado da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia, mas o or\u00e7amento da UE vai certamente custar mais. N\u00e3o s\u00f3 por causa da Ucr\u00e2nia, mas tamb\u00e9m por causa das novas prioridades da Uni\u00e3o. Nem que seja pelo custo do servi\u00e7o da d\u00edvida contra\u00edda no \u00e2mbito do fundo pand\u00e9mico. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se a Pol\u00f3nia est\u00e1 preparada para receber os impostos da UE para refor\u00e7ar o or\u00e7amento? E se n\u00e3o, ser\u00e1 que sabe onde ir buscar os 50 mil milh\u00f5es de euros que a Uni\u00e3o prometeu \u00e0 Ucr\u00e2nia?<\/p>\n\n<p>Em vez de fantasiarmos com o Inter-Mediterr\u00e2neo, dever\u00edamos ser um participante ativo no debate sobre esta quest\u00e3o. Ou sobre a forma como a Europa pode, realisticamente, ajudar mais a Ucr\u00e2nia em termos de seguran\u00e7a &#8211; porque tamb\u00e9m aqui os americanos esperam que a Europa lhes assuma grande parte deste esfor\u00e7o.<\/p>\n\n<p><strong><em>Ir\u00e1 a pol\u00edtica ucraniana polarizar-se como a pol\u00edtica europeia?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Existe o perigo de as quest\u00f5es hist\u00f3ricas voltarem, por exemplo. Em fevereiro de 2022, o Partido da Lei e da Justi\u00e7a decidiu que, fosse como fosse, era necess\u00e1rio apoiar a Ucr\u00e2nia, que lutava para sobreviver como Estado independente. Acredito na sinceridade desta decis\u00e3o, mas ela teve tamb\u00e9m muitos efeitos ben\u00e9ficos para o governo da Direita Unida: permitiu \u00e0 Pol\u00f3nia sair da marginaliza\u00e7\u00e3o internacional e tornar-se um ator s\u00e9rio, pelo menos nos primeiros meses da guerra. Permitiu tamb\u00e9m uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 administra\u00e7\u00e3o Biden.<\/p>\n\n<p><strong><em>Como ir\u00e1 ela reagir \u00e0 mudan\u00e7a de poder na Pol\u00f3nia?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Os americanos, quanto mais n\u00e3o seja devido ao papel da Pol\u00f3nia como &#8220;centro log\u00edstico&#8221; para a transfer\u00eancia de ajuda militar para a Ucr\u00e2nia, est\u00e3o sobretudo preocupados com a previsibilidade dos governos na Pol\u00f3nia. A mudan\u00e7a de poder n\u00e3o a afecta, os la\u00e7os estrat\u00e9gicos mant\u00eam-se. No entanto, entra em jogo um novo fator: o governo de Tusk estar\u00e1 pol\u00edtica e ideologicamente muito mais pr\u00f3ximo da administra\u00e7\u00e3o Biden do que o gabinete de Morawiecki. Com a administra\u00e7\u00e3o Biden a entrar agora no seu \u00faltimo ano, veremos em novembro de 2024 se os eleitores prolongam o seu mandato.<\/p>\n\n<p><strong><em>Biden e a sua administra\u00e7\u00e3o sublinham a amea\u00e7a que pot\u00eancias revisionistas como a China e a R\u00fassia representam para os Estados democr\u00e1ticos e para a ordem internacional baseada em regras. Qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da Pol\u00f3nia neste processo global?<\/em><\/strong><\/p>\n\n<p>Penso que vale a pena dizer a n\u00f3s pr\u00f3prios que n\u00e3o estamos a entrar numa realidade em que o mundo ser\u00e1 dividido num bloco americano e num bloco chin\u00eas. Pelo meio, h\u00e1 muitas pot\u00eancias interm\u00e9dias, como a Ar\u00e1bia Saudita, o Brasil, o Ir\u00e3o, a Turquia e a \u00c1frica do Sul, que t\u00eam influ\u00eancia nos mercados globais de energia e alimentos e que, pelo menos localmente, t\u00eam um peso militar significativo. E estar\u00e3o a equilibrar-se nesta situa\u00e7\u00e3o, tentando jogar o jogo com os dois p\u00f3los em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A Pol\u00f3nia n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds com esse potencial. S\u00f3 podemos influenciar o rumo que tudo isto ir\u00e1 tomar se moldarmos em conjunto a pol\u00edtica da UE e o seu lugar na nova realidade. A voz da Uni\u00e3o Europeia deve ser fortemente ouvida num mundo em mudan\u00e7a. No entanto, nem sempre \u00e9 esse o caso, como se pode ver agora que a voz da Europa \u00e9 muito pouco ouvida na nova itera\u00e7\u00e3o do conflito do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n\n<p>**<\/p>\n\n<p><strong>Piotr Buras<\/strong> \u00e9 diretor do Gabinete de Vars\u00f3via do Conselho Europeu de Rela\u00e7\u00f5es Externas (ECFR).<\/p>\n\n<p>**<br\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;resize=312%2C70&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"70\" srcset=\"https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;resize=312%2C70&amp;ssl=1 312w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo-600x134.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;ssl=1 600w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo-1920x428.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo-768x171.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;ssl=1 768w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo-1536x343.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo-2048x457.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;w=188&amp;ssl=1 188w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;w=376&amp;ssl=1 376w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;w=940&amp;ssl=1 940w, https:\/\/edceah5uf5z.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/EN_Co-funded-logo.png?strip=all&amp;lossy=1&amp;sharp=1&amp;w=2820&amp;ssl=1 2820w\"\/><\/p>\n\n<p><em>Financiado pela Uni\u00e3o Europeia. Os pontos de vista e opini\u00f5es expressos s\u00e3o da responsabilidade dos autores e n\u00e3o reflectem necessariamente os pontos de vista da Uni\u00e3o Europeia ou da Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Justi\u00e7a, Liberdade e Seguran\u00e7a. Redes de comunica\u00e7\u00f5es, conte\u00fados e tecnologias. Nem a Uni\u00e3o Europeia nem o organismo de financiamento s\u00e3o respons\u00e1veis por eles.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que os novos dirigentes polacos sabem onde ir buscar os 50 mil milh\u00f5es de euros que a Uni\u00e3o prometeu \u00e0 Ucr\u00e2nia? 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