{"id":40089,"date":"2024-05-21T09:10:31","date_gmt":"2024-05-21T07:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/article\/em-busca-de-uma-nova-estrategia-para-garantir-o-futuro-da-serra-de-culebra\/"},"modified":"2024-09-06T16:34:04","modified_gmt":"2024-09-06T14:34:04","slug":"em-busca-de-uma-nova-estrategia-para-garantir-o-futuro-da-serra-de-culebra","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/article\/em-busca-de-uma-nova-estrategia-para-garantir-o-futuro-da-serra-de-culebra\/","title":{"rendered":"Em busca de uma nova estrat\u00e9gia para garantir o futuro da Serra de Culebra"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Este artigo faz parte de uma s\u00e9rie de tr\u00eas artigos retirados do projeto multim\u00e9dia mais vasto do El Diario sobre os mega-inc\u00eandios na Europa, da autoria de Mariangela Paone, Ra\u00fal Rej\u00f3n, Sof\u00eda P\u00e9rez e Ra\u00fal S\u00e1nchez.<\/em> <a href=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/art&#xED;culo\/os-mega-fogos-estao-a-queimar-a-europa-estamos-preparados\/\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a> | <a href=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/es\/art&#xED;culo\/eubea-el-paraiso-que-se-volvio-un-infierno-primero-por-el-fuego-y-luego-por-el-agua\/\">Parte I<\/a> | <a href=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/es\/art&#xED;culo\/las-116-muertes-que-despertaron-a-un-pais\/\">Parte II<\/a> | Parte III<\/p>\n\n<p>Sierra de la Culebra (Zamora)<\/p>\n\n<p>Quando chegas ao topo da Pe\u00f1a Mira, est\u00e1s no cume de montanhas <em>com <\/em>300 milh\u00f5es de anos. Dali podes ver quase toda a Serra de la Culebra, em Zamora. A norte, tens as florestas. A sul, abrem-se grandes extens\u00f5es de floresta quase sem \u00e1rvores. Um olho binocular consegue ver a az\u00e1fama de m\u00e1quinas e cami\u00f5es que transportam troncos negros. Em 2022, 34.000 dos seus 70.000 hectares foram queimados em dois inc\u00eandios florestais devastadores. Quatro pessoas morreram.  <\/p>\n\n<p>Os dois incidentes, separados por apenas um m\u00eas, foram desencadeados por rel\u00e2mpagos e impulsionados a grande velocidade pelas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas secas e muito quentes causadas pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Os n\u00fameros oficiais dizem que, em alguns pontos, as chamas avan\u00e7avam a 18 metros por segundo, ou seja, quase 65 km\/h. A faixa de pinhal entre as localidades de T\u00e1bara e Mah\u00edde ardeu quase por completo. \u00c9 uma linha de 30 quil\u00f3metros de \u00e1rvores queimadas.<\/p>\n\n<p>&#8220;Vamos ver outros inc\u00eandios na nossa vida, mas acho que n\u00e3o vamos ver nada como aquele&#8221;, diz Eduardo, um residente de Boya, uma aldeia de apenas 56 habitantes que pertence \u00e0 pr\u00f3pria Mah\u00edde. Os seus castanheiros, famosos na regi\u00e3o, foram queimados nesse ano. &#8220;Agora n\u00e3o h\u00e1 cogumelos nem castanhas&#8221;.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39249\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2_Eduardo_en_prado_Sierra-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Eduardo, um vizinho da serra, no seu prado \/ <strong>Emilio Fraile<\/strong><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Infelizmente, a vis\u00e3o de Edward &#8211; que foi evacuado durante o inc\u00eandio e agora cria algumas ovelhas aut\u00f3ctones que conseguiram libertar para as salvar &#8211; n\u00e3o parece ser uma previs\u00e3o exacta. A previs\u00e3o \u00e9 que os inc\u00eandios enormes, devastadores e incontrol\u00e1veis ocorram com mais frequ\u00eancia devido ao aquecimento global.  <\/p>\n\n<p>&#8220;Vai voltar a acontecer, \u00e9 claro para n\u00f3s, porque n\u00e3o vemos que sejam tomadas medidas decisivas e adequadas&#8221;, prev\u00ea Lucas Ferrero, residente em Villanueva de Valrojo e presidente da associa\u00e7\u00e3o La Culebra no se calla. &#8220;Temos a nossa voz, mas outra coisa \u00e9 se somos ouvidos&#8221;, lamenta. &#8220;Voltaremos a ter um inc\u00eandio como este, mas n\u00e3o daqui a 30 anos, mas sim daqui a 15 anos&#8221;.<\/p>\n\n<p>Ferrero refere-se, entre outras coisas, ao facto de que &#8220;no final est\u00e3o a repovoar com pinheiros e acabaram por nos dizer que v\u00e3o deixar as esp\u00e9cies aut\u00f3ctones crescerem naturalmente. E penso que seria uma boa ideia come\u00e7ar por n\u00e3o as destruir com maquinaria&#8221;.<\/p>\n\n<p>A quest\u00e3o do regresso aos pinhais ou da tentativa de reflorestar a Culebra com variedades diferentes e menos vulner\u00e1veis tem vindo a ser discutida desde que as chamas foram extintas. A organiza\u00e7\u00e3o Ecologistas en Acci\u00f3n emitiu uma declara\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio quando se soube que a Junta de Castilla y Le\u00f3n considerava aceit\u00e1vel recorrer \u00e0 refloresta\u00e7\u00e3o de pinheiros porque havia registos de p\u00f3len destas esp\u00e9cies com 10.000 anos e, portanto, seriam aut\u00f3ctones. &#8220;S\u00e3o pirof\u00edticos&#8221; e isso, segundo os ecologistas, agrava a propaga\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39264\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/EuropaPress_4528182_efectivos_bomberos_incendio_sierra_culebra_18_junio_2022_zamora_castilla-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Um grupo de bombeiros combate um inc\u00eandio na Serra de Zamora em junho de 2022. Europa Press \/ Emilio Fraile<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>A verdade \u00e9 que as grandes florestas de pinheiros de La Culebra &#8211; que foram queimadas em 2022 &#8211; foram o resultado de uma refloresta\u00e7\u00e3o iniciada nos anos 40, numa tentativa de travar a eros\u00e3o galopante de um territ\u00f3rio sem \u00e1rvores. Antes disso, h\u00e1 s\u00e9culos que se praticava um <em>arboric\u00eddio<\/em> em grande escala, sobretudo das esp\u00e9cies mais adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desta zona da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica: os carvalhos mel\u00edferos.  <\/p>\n\n<p>&#8220;Parece que n\u00e3o aprendemos nada, sobretudo ao n\u00edvel das administra\u00e7\u00f5es. N\u00f3s, os cidad\u00e3os, penso que aprendemos, mas, na verdade, \u00e0s vezes d\u00e1 vontade de deitar tudo a perder&#8221;, conclui Ferrero.  <\/p>\n\n<p>No in\u00edcio de abril, quase dois anos ap\u00f3s essas cat\u00e1strofes, a serra de Culebra registou um recorde de precipita\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s meses e meses de seca e temperaturas anormais. Assim, em muitas partes desta terra queimada, a erva brotou onde antes havia \u00e1rvores. &#8220;Quando fica verde, parece que se esquece a gravidade do que aconteceu&#8221;, diz Javier Taleg\u00f3n, bi\u00f3logo e verdadeiro guia da Sierra de la Culebra, onde trabalha h\u00e1 d\u00e9cadas.  <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39159\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1_Javier_Talegon_en_la_sierra_CulebraSierradelaCulebra_eldiario-3-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>O bi\u00f3logo e guia Javier Taleg\u00f3n num dos locais da Serra de la Culebra \/ Emilio Fraile<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>&#8220;A primeira li\u00e7\u00e3o que devemos aprender depois de uma destrui\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande \u00e9, antes de fazer qualquer coisa, perguntarmo-nos: o que queremos: queremos que a serra seja uma terra de produ\u00e7\u00e3o de madeira e combust\u00edvel ou queremos que seja um espa\u00e7o de ecossistemas funcionais e resilientes face \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas? Porque estes habitats precisam de heterogeneidade e, antes dos inc\u00eandios, at\u00e9 30% da \u00e1rea de La Culebra era constitu\u00edda por estes pinhais uniformes&#8221;, diz Taleg\u00f3n.<\/p>\n\n<p>As &#8220;monoculturas&#8221; destas \u00e1rvores con\u00edferas, implantadas h\u00e1 muitas d\u00e9cadas com a ideia de segurar o solo, por um lado, e de dispor de um recurso econ\u00f3mico, por outro, revelaram-se aceleradores de inc\u00eandios, uma vez que a fa\u00edsca foi acesa por um raio, por neglig\u00eancia humana ou pela vontade de um incendi\u00e1rio.  <\/p>\n\n<p>Olhando para as urzes que floresceram esta \u00e9poca &#8220;pela primeira vez depois das chamas&#8221;, o bi\u00f3logo esclarece que a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira &#8220;\u00e9 a cobertura de um solo que foi muito empobrecido pelas constantes queimadas e pela gest\u00e3o humana aqui efectuada historicamente&#8221;. \u00c9 esta a origem da sua exig\u00eancia, no sop\u00e9 das montanhas, de repensar o que queremos fazer aqui.  <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39219\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/4_SierradelaCulebra_eldiario-5-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Remo\u00e7\u00e3o de madeira carbonizada \/ Emilio Fraile<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>&#8220;Vejo diariamente as quintas de pessoas que n\u00e3o vivem aqui, em que estado se encontram, e digo a mim mesmo: que diferen\u00e7a faz a forma como as gerimos, n\u00f3s que as gerimos com a ideia de que n\u00e3o devem ser combust\u00edveis, porque, no final, corremos o mesmo risco&#8221;, comenta Ferrero.  <\/p>\n\n<p>E continua: &#8220;Se fores de Codesal para norte, em dire\u00e7\u00e3o a Puebla de Sanabria, v\u00eas que n\u00e3o aprendemos muito. Nem sequer as c\u00e2maras municipais, que deviam ter exigido \u00e0 Junta a cria\u00e7\u00e3o de um per\u00edmetro de seguran\u00e7a nos munic\u00edpios, mas n\u00e3o h\u00e1. Basta andar por a\u00ed para ver: o mato est\u00e1 a entrar nas aldeias. As vassouras e as urzes s\u00e3o do tamanho de carvalhos&#8221;.<\/p>\n\n<p>No sop\u00e9 do munic\u00edpio de Villardeciervos, uma das aldeias onde as chamas se alastraram sem piedade, pode ver-se uma placa brilhante, quase como se tivesse acabado de ser colocada, onde se l\u00ea: &#8220;Perigo de inc\u00eandio. Zona protegida por videovigil\u00e2ncia&#8221;. As imagens s\u00e3o captadas a quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia numa nova torre de 30 metros que encontras ao subir o caminho em dire\u00e7\u00e3o a Pe\u00f1a Mira. &#8220;Queremos que haja mais preven\u00e7\u00e3o, porque parece que tudo se resolve com a contrata\u00e7\u00e3o de mais bombeiros, mas n\u00e3o \u00e9 assim&#8221;, diz Ferrero.  <\/p>\n\n<p>O objetivo da videovigil\u00e2ncia &#8211; um contrato de 400.000 euros da Junta de Castilla y Le\u00f3n &#8211; \u00e9 monitorizar o oeste de Zamora com a ideia de refor\u00e7ar e investir na estrat\u00e9gia de extin\u00e7\u00e3o. Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que esta f\u00f3rmula, que foi utilizada pela primeira vez em 2013 e que, segundo o governo regional, reduziu os inc\u00eandios florestais em 65%, \u00e9 utilizada. No entanto, parece que pouco ajudou face aos novos inc\u00eandios. O que queimou a Culebra, no final, foi <em>levado<\/em> para o regadio para se sufocar l\u00e1, porque n\u00e3o havia maneira de o sufocar. Quando as chamas encontraram os campos que j\u00e1 n\u00e3o ardiam, acabaram por se extinguir. &#8220;Os girass\u00f3is apagaram-no&#8221;, disseram testemunhas do incidente.  <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"963\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-963x642.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39204\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-963x642.jpg 963w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-339x226.jpg 339w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-768x512.jpg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/5_SierradelaCulebra_eldiario-13-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 963px) 100vw, 963px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Um sinal de perigo de inc\u00eandio queimado pelo inc\u00eandio de 2022 \/ Emilio Fraile<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>&#8220;O fogo, por paradoxal que pare\u00e7a, abriu algumas janelas. Eu apostaria em aprender com o que estes dois inc\u00eandios nos ensinaram: as extens\u00f5es de pinheiro queimado s\u00e3o gigantescas e, ao mesmo tempo, vimos como as manchas de carvalhos que ainda existiam na Culebra tinham sido queimadas nas bordas e salvas no centro destas massas&#8221;, diz Taleg\u00f3n.<\/p>\n\n<p>Nos meses que se seguiram ao inc\u00eandio, o bi\u00f3logo constatou que &#8220;nos carvalhais entre Boya e Villardeciervos, os carvalhos atenuaram a viol\u00eancia do fogo, enquanto os pinhais mais ou menos homog\u00e9neos foram muito afectados&#8221;. Por isso, apela a &#8220;n\u00e3o voltar a cometer os mesmos erros da monocultura, mesmo que demore mais tempo a obter os resultados. Mesmo que custe mais&#8221;.<\/p>\n\n<p>No entanto, os grupos locais, como o coordenado por Lucas Ferrero, tamb\u00e9m consideram que seria \u00fatil dispor de alguns recursos para poder combater o fogo assim que este \u00e9 detectado: &#8220;Forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima e alguns recursos para um primeiro choque quando o risco \u00e9 pequeno e muito pode ser feito com chamas de 50 cent\u00edmetros. A a\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os tem de contar&#8221;.  <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"856\" height=\"642\" src=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/7_Cartel_videovigilacancia_sierraCulebra_RR-856x642.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39174\" srcset=\"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/7_Cartel_videovigilacancia_sierraCulebra_RR-856x642.jpeg 856w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/7_Cartel_videovigilacancia_sierraCulebra_RR-301x226.jpeg 301w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/7_Cartel_videovigilacancia_sierraCulebra_RR-768x576.jpeg 768w, https:\/\/archive.displayeurope.eu\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/7_Cartel_videovigilacancia_sierraCulebra_RR.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Sinal de aviso de \u00e1rea videomonitorizada para controlo de inc\u00eandios em Villarciervos (Zamora)<\/strong> \/ <strong>R.R.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Os mega-inc\u00eandios s\u00e3o um dos impactos e desafios evidentes que a crise clim\u00e1tica coloca aos pa\u00edses do Sul da Europa. A sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 monstruosa. Numa cat\u00e1strofe como a de La Culebra, a perda daquilo a que os investigadores chamam &#8220;servi\u00e7os ecossist\u00e9micos&#8221; &#8211; as fun\u00e7\u00f5es naturais dos habitats que apoiam os seres humanos, como a regula\u00e7\u00e3o do fluxo de \u00e1gua &#8211; vale milh\u00f5es de euros. Um grupo de cientistas da <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/cuanto-hemos-perdido-en-el-incendio-forestal-de-la-sierra-de-la-culebra-187127\">Universidade de Salamanca calculou<\/a> que, em Zamora, se perderam entre 35 e 75 milh\u00f5es de euros.  <\/p>\n\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 domina tudo&#8221;, diz o bi\u00f3logo Javier Taleg\u00f3n, &#8220;\u00e9 o novo fator-chave porque os inc\u00eandios j\u00e1 ultrapassam a capacidade dos recursos de combate a inc\u00eandios, por isso \u00e9 tempo de repensar o modelo que existe na Sierra de la Culebra. Se \u00e9 uma reserva da biosfera, se re\u00fane uma s\u00e9rie de habitats declarados de interesse, \u00e9 altura de repensar a forma como nos relacionamos com ela&#8221;.  <\/p>\n\n<p>Ao sair da serra, quando perguntam a Eduardo quem perdeu mais com os inc\u00eandios, responde calmamente e de p\u00e9 no seu prado: &#8220;De uma forma ou de outra, todos perdemos&#8221;.<\/p>\n\n<p>&#8211; Ra\u00fal Rej\u00f3n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os habitantes locais e os especialistas apelam a que n\u00e3o se repitam os erros do passado, preparando a popula\u00e7\u00e3o e evitando as monoculturas para repovoar a floresta, que perdeu 34 mil dos seus 70 mil hectares em dois inc\u00eandios devastadores em 2022.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39244,"parent":0,"template":"","tags":[],"displeu_category":[],"class_list":["post-40089","article","type-article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article\/40089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40089"},{"taxonomy":"displeu_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/displeu_category?post=40089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}