{"id":40387,"date":"2024-05-22T12:40:18","date_gmt":"2024-05-22T10:40:18","guid":{"rendered":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/?post_type=article&#038;p=40387"},"modified":"2024-09-06T16:33:36","modified_gmt":"2024-09-06T14:33:36","slug":"rebecca-harms-in-democracy-opinion-must-be-underpinned-by-an-independent-media","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/article\/rebecca-harms-in-democracy-opinion-must-be-underpinned-by-an-independent-media\/","title":{"rendered":"Rebecca Harms: &#8220;Em democracia, a opini\u00e3o deve ser apoiada por meios de comunica\u00e7\u00e3o social independentes"},"content":{"rendered":"\n<p>Rebecca Harms \u00e9 uma pol\u00edtica alem\u00e3 que foi membro do Parlamento Europeu de 2004 a 2019, e presidente do grupo dos Verdes\/Alian\u00e7a Livre Europeia (EFTA) at\u00e9 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, \u00e9 vice-presidente do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ecpmf.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Europeu para a Liberdade de Imprensa e dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/a>&nbsp;(ECPMF), a organiza\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s de&nbsp;<a href=\"https:\/\/voice-of-ukraine.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vozes da Ucr\u00e2nia<\/a>. Este projeto, do qual&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/tag\/voices-of-ukraine\/\">Voxeurop \u00e9 parceiro<\/a>, visa apoiar jornalistas e meios de comunica\u00e7\u00e3o ucranianos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dado o seu papel no Centro Europeu para a Liberdade de Imprensa e dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social (ECPMF), como avalia o estado atual da liberdade de imprensa na Europa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como pol\u00edtico da UE, trabalhei com os meus colegas do&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/tag\/parlement-europeen-2\/\">Parlamento Europeu<\/a> em iniciativas para defender os jornalistas e o seu trabalho. O parlamento apoiou a funda\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ecpmf.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ECPMF<\/a>&nbsp;em 2015, porque quer\u00edamos fazer frente \u00e0 crescente press\u00e3o pol\u00edtica sobre os jornalistas. Vimos como os governos estavam a fazer recuar os meios de comunica\u00e7\u00e3o social na&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/hungary-en\/\">Hungria<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/poland\/\">Pol\u00f3nia<\/a>. Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/malta\/\">Malta<\/a>&nbsp;e na Eslov\u00e1quia houve assassinatos de jornalistas:&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/why-i-felt-daphnes-murder-needed-to-take-centre-stage\/\">Daphne Caruana Galizia<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/a-country-at-breaking-point\/\">J\u00e1n Kuciak<\/a>. A Turquia &#8211; que estava a negociar a ades\u00e3o \u00e0 UE &#8211; estava a transformar-se na maior pris\u00e3o do mundo para jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>As iniciativas do Parlamento Europeu foram retomadas pelos Comiss\u00e1rios europeus respons\u00e1veis por esta mat\u00e9ria &#8211; primeiro Viviane Reding e hoje Vera Jourova. E ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de disputas pol\u00edticas, o Parlamento aprovou recentemente o&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/tag\/european-media-freedom-act-2-2\/\">European Media Freedom Act<\/a>. Trata-se de um passo importante para proteger a liberdade de imprensa e os jornalistas em todos os pa\u00edses da UE. O EMFA ter\u00e1 mesmo um impacto para al\u00e9m da UE, uma vez que a liberdade de imprensa ser\u00e1 uma prioridade nas futuras negocia\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/ukraine\/\">Ucr\u00e2nia<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/moldova-en\/\">Mold\u00e1via<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/georgia-en\/\">Ge\u00f3rgia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Porque \u00e9 que a liberdade de imprensa \u00e9 t\u00e3o importante nas democracias, incluindo a Uni\u00e3o Europeia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em democracia, as opini\u00f5es devem ser sustentadas por uma comunica\u00e7\u00e3o social livre e n\u00e3o influenciada pelo Estado. Nas democracias representativas, o jornalismo \u00e9 um suporte para o conhecimento e a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os. Permite que os pol\u00edticos apresentem os seus objectivos e decis\u00f5es e que os discutam com rea\u00e7\u00e3o. Assim, o bom jornalismo promove a forma\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o respons\u00e1vel. Para tal, \u00e9 fundamental que os meios de comunica\u00e7\u00e3o social sejam, eles pr\u00f3prios, democr\u00e1ticos. Tem de haver transpar\u00eancia e controlo n\u00e3o governamental para as organiza\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o social p\u00fablicas e privadas. No per\u00edodo que antecede as elei\u00e7\u00f5es, torna-se especialmente importante garantir a qualidade, a independ\u00eancia e a equidade da cobertura. Afinal de contas, os cidad\u00e3os elegem partidos e pol\u00edticos que podem tomar decis\u00f5es de grande alcance em seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que papel espec\u00edfico poder\u00e1 ser desempenhado pelas redac\u00e7\u00f5es europeias e pan-europeias em v\u00e9speras de elei\u00e7\u00f5es a n\u00edvel da UE?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um meio de comunica\u00e7\u00e3o social pan-europeu adequado seria certamente bom se quisermos um debate de alta qualidade e genuinamente europeu sobre o que \u00e9 discutido e decidido em Bruxelas. Do mesmo modo, atualmente quase n\u00e3o se discute o que acontece nos outros Estados-Membros da UE, com as suas diferentes agendas pol\u00edticas e sociais. O facto de falarmos mais de 27 l\u00ednguas diferentes n\u00e3o facilita as coisas. Continuo a acreditar que a UE precisa do seu pr\u00f3prio organismo p\u00fablico de radiodifus\u00e3o, adaptado \u00e0s actuais restri\u00e7\u00f5es financeiras e oportunidades t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que sabemos que as redes sociais est\u00e3o a prejudicar os processos democr\u00e1ticos. Hoje vemos as consequ\u00eancias de uma recusa ideol\u00f3gica de tentar qualquer tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o da Internet. A Internet tornou poss\u00edvel a t\u00e3o celebrada aldeia global dos nossos dias, mas isso foi acompanhado de um potencial quase ilimitado de dissemina\u00e7\u00e3o de propaganda e falsidades. S\u00f3 no que respeita \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da UE, circulam imensas mentiras e meias-verdades. Para os cidad\u00e3os, pode ser dif\u00edcil verificar os factos porque Bruxelas est\u00e1 muito longe ou, pelo menos, parece estar. Dada a enorme dimens\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da desinforma\u00e7\u00e3o, hoje em dia sinto-me muitas vezes perdido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o pan-europeus t\u00eam um papel a desempenhar no que respeita \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia e noutros pa\u00edses p\u00f3s-sovi\u00e9ticos, como a Bielorr\u00fassia, a Mold\u00e1via ou a Ge\u00f3rgia?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como segundo presidente da ECPMF, tentei apoiar os jornalistas e as organiza\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o social da Europa de Leste. De resto, \u00e9 incorreto classificar todos estes pa\u00edses como p\u00f3s-sovi\u00e9ticos. De facto, o papel crescente desempenhado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social profissionais e pelo jornalismo mostra at\u00e9 que ponto estas sociedades mudaram desde a independ\u00eancia. Atrav\u00e9s do seu trabalho, os jornalistas s\u00e3o tamb\u00e9m for\u00e7as motrizes da democratiza\u00e7\u00e3o e da integra\u00e7\u00e3o na UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Na&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/belarus-en\/\">Bielorr\u00fassia<\/a>, os jornalistas tornaram-se alvo de persegui\u00e7\u00f5es ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es fraudulentas e os protestos em massa contra o presidente Lukashenko, que cometeu fraudes eleitorais. Os perseguidos ou presos tiveram de ser apoiados, o que n\u00e3o foi f\u00e1cil. Mas as suas vozes tamb\u00e9m precisavam de ser ouvidas no Ocidente. De facto, tomei como certo que os colegas bielorrussos podiam publicar os seus trabalhos nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ocidentais. Infelizmente, n\u00e3o pude deixar de constatar que, embora houvesse solidariedade no Ocidente, havia pouco respeito ou curiosidade pelo trabalho destes jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">&#8216;<strong>Aumentar o n\u00famero de vozes da Europa de Leste nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social europeus \u00e9, portanto, um ato de respeito. E, numa guerra h\u00edbrida como esta, tamb\u00e9m contribuir\u00e1 para a seguran\u00e7a de todos n\u00f3s<\/strong>&#8216;<\/h5>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/tag\/invasion-de-lukraine-2-2\/\">invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia<\/a>&nbsp;em fevereiro de 2022, o meu trabalho no ECPMF tamb\u00e9m mudou. Enquanto muitos jornalistas deixaram a Bielorr\u00fassia e a R\u00fassia, a maioria das redac\u00e7\u00f5es e dos jornalistas ucranianos continuou o seu trabalho em condi\u00e7\u00f5es de guerra. Como parte da Iniciativa Hannah Arendt, o projeto &#8220;<a href=\"https:\/\/voice-of-ukraine.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vozes da Ucr\u00e2nia<\/a>&#8221; tornou-se um foco da ECPMF.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo de neg\u00f3cio dos media ucranianos, em particular a publicidade, entrou em colapso com o in\u00edcio da&nbsp; guerra. Assim, o objetivo inicial era permitir que os jornalistas continuassem o seu trabalho, dando-lhes um apoio mensal. Gra\u00e7as ao financiamento do Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros alem\u00e3o, conseguimos faz\u00ea-lo a mais de 100 jornalistas e pequenas redac\u00e7\u00f5es desde o outono de 2022, e este apoio est\u00e1 garantido at\u00e9 2025. Juntamente com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es e empresas ucranianas (por exemplo, &nbsp;<a href=\"https:\/\/en.journlab.online\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Public Interest Journalism Lab<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/thefix.media\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Fix Media<\/a>), tamb\u00e9m prestamos assist\u00eancia t\u00e9cnica e pagamos seguros para rep\u00f3rteres da linha da frente. Tamb\u00e9m estamos agora envolvidos no&nbsp;<a href=\"https:\/\/lvivmediaforum.com\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lviv Media Forum<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os jornalistas apoiados pelo Voices of Ukraine, tamb\u00e9m ficaria muito satisfeito se os seus artigos fossem mais divulgados nos media europeus. \u00c9 claro que precisamos dos nossos pr\u00f3prios correspondentes estrangeiros experientes. Mas, nesta guerra, os jornalistas ucranianos s\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/tag\/voices-of-ukraine\/\">os nossos olhos e ouvidos no terreno<\/a>: v\u00eaem e ouvem mais do que os seus colegas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/country\/russia\/\">R\u00fassia<\/a>&nbsp;declarou guerra \u00e0 Ucr\u00e2nia, o pa\u00eds v\u00edtima tem vindo a atrair mais aten\u00e7\u00e3o. Anteriormente, o interesse do Ocidente na Europa de Leste centrava-se na R\u00fassia. Infelizmente, a nossa falta de interesse pelos pa\u00edses da Europa Central e Oriental, como a Ucr\u00e2nia, foi \u00fatil \u00e0 R\u00fassia na sua guerra de informa\u00e7\u00e3o e, posteriormente, na sua invas\u00e3o. Por isso, dar destaque a mais vozes da Europa de Leste nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social europeus \u00e9 um ato de respeito. E, numa guerra h\u00edbrida como esta, tamb\u00e9m ajudar\u00e1 a seguran\u00e7a de todos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Traduzido por&nbsp;<a href=\"https:\/\/voxeurop.eu\/en\/author\/harry-bowden\/\">Harry Bowden<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o a aproximar-se a passos largos. Na Ucr\u00e2nia e em Gaza, os jornalistas est\u00e3o a fazer o seu trabalho nas condi\u00e7\u00f5es mais perigosas. Raramente a quest\u00e3o da liberdade de imprensa e da sua prote\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o importante. Rebecca Harms, ex-deputada europeia, partilha a sua opini\u00e3o sobre o assunto.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":40371,"parent":0,"template":"","tags":[],"displeu_category":[],"class_list":["post-40387","article","type-article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article\/40387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40387"},{"taxonomy":"displeu_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.displayeurope.eu\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/displeu_category?post=40387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}